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Filmes e Séries - Por Mattheus Goto

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‘O Agente Secreto’: quais os principais adversários do Brasil nas premiações?

A disputa está acirrada, com uma safra de filmes internacionais excelente, como 'Foi Apenas um Acidente', 'Valor Sentimental' e 'A Única Saída'

Por Mattheus Goto
8 jan 2026, 08h00 •
Tânia Maria em 'O Agente Secreto'
Tânia Maria em 'O Agente Secreto' (Victor Jucá/Divulgação)
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  • A temporada de grandes premiações internacionais começou e o Brasil tem tudo para ser aclamado. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, venceu no início deste mês o Critics Choice Awards 2026 de melhor filme internacional, em um bom termômetro do que vem pela frente.

    Mas quem são os principais adversários do Brasil nessa corrida até o Oscar? A disputa está acirrada, com uma safra de filmes de língua não inglesa excelente.

    Confira a seguir um balanço de cada um dos filmes no páreo.

    Foi Apenas um Acidente

    Um dos grandes concorrentes de O Agente Secreto é Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi. O diretor iraniano, que veio ao Brasil no ano passado e foi homenageado na Mostra SP, tem uma carreira brilhante e seu novo filme vem fazendo uma excelente campanha.

    Começou no Festival de Cannes com a vitória da Palma de Ouro — que, vale lembrar, na temporada anterior foi para Anora (2024), de Sean Baker, grande vencedor do Oscar 2025. Por outro lado, o evento francês também fez questão de enaltecer o filme de Kleber Mendonça Filho com os títulos de melhor diretor e ator. Em se tratando de Cannes, pode-se dizer que há um equilíbrio de reconhecimento aos dois, mas a Palma de Ouro é uma vantagem inegável.

    Outro fator importante, e talvez decisivo, é que Jafar Panahi foi condenado novamente por seu país no fim do ano passado, por “atividades de propaganda contra o regime”. Tanto é que o filme é o representante da França ao Oscar 2026. O cineasta já havia sido preso anteriormente. A notícia reforça a urgência da história e pode catapultar o longa na reta final aos prêmios.

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    Vítimas de regime autoritário: dúvidas sobre o que fazer com torturador
    Cena de ‘Foi Apenas um Acidente’ (Les Films Pelleas/Divulgação)

    Valor Sentimental

    Depois de A Pior Pessoa do Mundo (2021), os noruegueses Joachim Trier e Renate Reinsve reúnem-se novamente em Valor Sentimental. Na estreia em Cannes, venceu o Gran Prix, alcançando uma posição considerável na corrida.

    É uma obra que, apesar de maravilhosa, tem um público mais nichado e uma temática mais difícil de engolir — ausência paterna. Normalmente, os votantes do Oscar dão mais atenção e valor para produções mais políticas na categoria de filme internacional.

    Mas não se deixe enganar por isso, as chances do filme aumentam muito por causa das categorias de atuação. Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Stellan Skarsgård e até Elle Fanning aparecem em previsões para os indicados ao Oscar. Os três primeiros são favoritos como atriz, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. Se a popularidade de algum deles disparar nos próximos meses, podemos ver as chances tenderem a favorecer este longa.

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    Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas): abraço emocionalmente carregado em 'Valor Sentimental'
    Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas): abraço emocionalmente carregado em ‘Valor Sentimental’ (Kasper Tuxen/Divulgação)

    A Única Saída

    O novo filme do sul-coreano Park Chan-wook é um escândalo de tão bom e ele ainda tem uma extensa e prolífica carreira a seu favor, com títulos como Oldboy (2003), Decisão de Partir (2022) e A Criada (2016) no currículo. Apesar de ter uma cinematografia com tantos clássicos, ele nunca foi reconhecido pela Academia e uma campanha de “azarão” poderia pôr fim a esse histórico. 

    A produção não tem recebido tantos prêmios internacionais. Seria surpreendente se uma obra repetisse o burburinho de Parasita (2019). A ver.

    Yoo Man-soo (Lee Byung-hun), protagonista desempregado de 'A Única Saída'
    Yoo Man-soo (Lee Byung-hun), protagonista desempregado de ‘A Única Saída’ (CJ ENM/Divulgação)
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    Sirât

    O representante da Espanha no Oscar 2026, dirigido por Oliver Laxe, é um espetáculo — mesmo que um tanto cruel. Ganhou o prêmio do júri em Cannes e é uma recomendação da coluna.

    No entanto, não parece ter ganhado um fôlego necessário para a campanha nas premiações. Uma carta na manga é a estreia em outros países, que pode gerar um falatório. No Brasil, está prevista para 26 de fevereiro (um pouco em cima do Oscar, que acontece no dia 15 de março).

    Realidade cruel no fim do mundo: enredo devastador
    Realidade cruel no fim do mundo: enredo devastador de ‘Sirât’ (Retrato Filmes/Divulgação)

    The Voice Of Hind Rajab

    O filme da cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania ainda não tem um título em português, mas concorre com o Brasil na categoria de filme internacional no Globo de Ouro. Venceu o Leão de Prata no Festival de Veneza e vem sendo universalmente aclamada pela crítica.

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    Porém, passa pela mesma situação que Sirât e não tem grande fôlego no momento. A estreia no circuito brasileiro está marcada para 29 de janeiro.

    A Garota Canhota

    Depois de ganhar quatro Oscars por Anora (2024), Sean Baker embarcou como roteirista, produtor e montador de A Garota Canhota, disponível na Netflix. Trata-se do longa de estreia na direção solo da taiwanesa Shih-Ching Tsou, disponível na Netflix.

    Lançamentos em streaming não costumam figurar entre os favoritos dos jurados da Academia nesta categoria, mas a associação com o nome de Baker pode pesar.

    Podem surpreender

    Não tem uma campanha muito grande por enquanto, mas estão entre os cotados:

    • Belén, de Dolores Fonzi (Argentina)
    • O Som da Queda, de Mascha Schilinski (Alemanha)
    • Homebound, de Neeraj Ghaywan (Índia)
    • O Bolo do Presidente, de Hasan Hadi (Iraque)
    • Palestina 36, de Annemarie Jacir (Palestina)
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