Mostra de Tiradentes celebra ‘O Agente Secreto’ e cinema independente
Evento valorizou produções de diferentes tamanhos e teve participação de Leonardo Lacca, diretor assistente do filme: “Está todo mundo empolgado”
A Mostra de Cinema de Tiradentes abriu o calendário cinéfilo brasileiro de 2026 e Vejinha foi à cidade mineira para a cobertura, a convite da Universo Produção. O evento apresentou 137 filmes de 23 estados, em torno do tema “Soberania Imaginativa”, e chegou ao fim no sábado (31), com o anúncio dos ganhadores das mostras competitivas.
O filme Anistia 79, de Anita Leandro, foi o grande vencedor, com dois prêmios (melhor filme pelo júri popular e pelo júri oficial na Mostra Olhos Livres). “As pessoas ficaram em silêncio assistindo a esse filme, sobre um assunto difícil, parecia uma liturgia. Foi a sessão mais importante que já presenciei na minha vida”, disse a cineasta, ao receber o troféu no palco.
A 29ª edição da mostra homenageou a atriz, roteirista e cineasta Karine Teles, que se prepara para estrear na direção de um longa, com Princesa. Entre papéis de destaque em sua carreira estão a matriarca Bárbara em Que Horas Ela Volta? (2015), a protagonista Irene em Benzinho (2018) e a forasteira em Bacurau (2019). No ano passado, interpretou Aldeíde Candeias no remake de Vale Tudo (2025) e uma mãe problemática em Salve Rosa (2025).
“Fiquei muito feliz e honrada. É uma mostra que eu admiro e é de extrema importância para o país”, afirma Karine, em entrevista a Vejinha. “É o tipo de coisa que a gente precisa para discutir e ajudar a fortalecer a nossa indústria, porque cultura é indústria, gera emprego e imposto”.
A artista também torce para que o reconhecimento internacional do cinema brasileiro, neste ano com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar, incentive a indústria aqui. “Tenho a esperança de que esse barulho todo que o cinema brasileiro tem feito nos dois últimos anos contribua para fazer com que as pessoas entendam que é trabalho. Que o dinheiro que é investido é usado para pagar pessoas que estão trabalhando nesses projetos”.
A programação ainda contou com debates, encontros formativos e atividades de mercado, com convidados ilustres como Leonardo Lacca, diretor assistente e preparador de elenco de O Agente Secreto, que teve sessão lotada na mostra.
“Eu nunca vi Kleber perseguindo [o Oscar], é uma consequência de muitos passos dados ao longo de muitos anos de carreira. Está todo mundo empolgado, a equipe comemorou bastante”, diz Lacca, sobre as indicações ao Oscar. “É clima de Copa do Mundo. As pessoas estão reconhecendo como um filme brasileiro. E é bonito ver esse filme de Kleber, sem ter tido uma concessão.”
O momento é prolífico também para Gilda Nomacce, que participou de uma mesa no dia 29. A atriz paulista viralizou no ano passado, enquanto divulgava os filmes Enterre Seus Mortos e Prédio Vazio, ao fazer um grito durante uma entrevista ao vivo no JM1, da TV Mirante, afiliada da TV Globo no Maranhão.
“Para mim, o meme foi um Deus ex machina. Eu já fiz mais de cem filmes e não tinha essa visibilidade, não fazia bons papéis. Agora tenho a oportunidade de expandir a carreira”, ela conta.
O balanço da mostra é positivo. “O sentimento é de missão cumprida, por ter trazido reflexão e provocação na curadoria de filmes”, comenta Raquel Hallak, coordenadora geral da Mostra de Cinema de Tiradentes. “A mostra vem ao longo de quase 30 anos apresentando o cinema brasileiro que muitas vezes não é conhecido”.
Para a 30ª edição, em 2027, ela espera “olhar pelo retrovisor” e resgatar a história da mostra e do cinema brasileiro.
Publicado em VEJA São Paulo de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981.





