Mostra no CCBB homenageia Sarah Maldoror, cineasta negra emblemática
Centro cultural apresenta filmes de diretora franco-guadalupense, uma das primeiras negras a filmar na África
Considerada uma das primeiras cineastas negras a filmar na África, Sarah Maldoror (1929-2020) ganha uma mostra em sua homenagem no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB-SP). De 21 de fevereiro a 22 de março, a instituição exibe curtas e longas-metragens que destacam o papel da franco-guadalupense na história do cinema.
A retrospectiva “O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror” exibe 34 obras, sendo 19 dirigidas por Maldoror e outras 15 assinadas por diferentes realizadores, com participação dela. A cineasta dedicou-se a documentar e ficcionalizar temas como imigração, engajamento político, pensamento decolonial e mais especificamente as frentes de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.
A mostra abre no sábado (21), às 17h30, com a sessão da versão restaurada de Sambizanga (1972), premiado no Festival de Berlim. O filme é baseado em um livro de Luandino Vieira e acompanha um homem que é preso injustamente e torturado, suspeito de pertencer a um grupo revolucionário.
A programação ainda traz os filmes A Batalha de Argel (1966), de Gillo Pontecorvo, e Elas (1966), de Ahmed Lallem, em que Maldoror trabalhou como assistente. Este último é exibido pela primeira vez em um cinema na capital paulista.
Há também exibições do documentário Sem sol (1982), de Chris Marker, e o episódio 7 da série A Herança da Coruja (1989), que contêm imagens filmadas por Maldoror.
A primogênita da cineasta e fundadora da associação The Friends of Sarah Maldoror and Mario de Andrade, Annouchka de Andrade, estará presente no evento para uma conferência sobre Sambizanga, no outro sábado (26).
A entrada é gratuita, ingressos disponíveis 1 hora antes de cada sessão.
Confira a seguir a programação completa por dia.
Programação | Mostra Sarah Maldoror CCBB-SP
21/02/2026 (sábado)
17h30 – Sessão de Abertura| Sambizanga (comentada por Henda Ducados).
22/02/2026 (domingo)
15h – Monangambééé + Alma no olho (com participação de Henda Ducados)
17h – Debate Resiliência e resistência: o percurso de uma militante (com participação de Henda Ducados e mediado por Marcia Vaz)
18h – Carnaval (Fogo, uma ilha em chamas + Carnaval no Sahel + Em Bissau, o carnaval)
23/02/2026 (segunda-feira)
17h30 – Prefácio a Fuzis para Banta (comentada por Lúcia Monteiro e Henda Ducados)
19h – Poesia em movimento (Louis Aragon, uma máscara em Paris + René Depestre, poeta haitiano + Léon G. Damas)
25/02/2026 (quarta-feira)
18h – Aimé Césaire, um homem, uma terra (Rita Chaves comenta)
26/02/2026 (quinta-feira)
18h30 – Cais (com apresentação de Safira Moreira)
27/02/2026 (sexta-feira)
17h – E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras (sessão comentada por Annouchka de Andrade)
19h – Leitura dramática de roteiro inédito da Sarah Maldoror por Safira Moreira
28/02/2026 (sábado)
15h30 – O hospital de Leningrado + “Sarah Maldoror roteirista”, parte 1 (com Annouchka de Andrade).
17h30 – Sambizanga (apresentado por Annouchka de Andrade)
01/03/2026 (domingo)
15h – Sem Sol
17h15 – Sarah assistente (Elas + O legado da coruja, episódio 7)
18h30 – A amizade de Chris Marker e Sarah Maldoror. Debate de Annouchka de Andrade e Mateus Araújo (USP)
02/03/2026 (segunda-feira)
15h – Ôrí (comentada por Raquel Gerber)
17h30 – Sessão de curtas “Retratos de mulheres, retratos da negritude” (seguida de debate com Raquel Gerber e Annouchka de Andrade)
04/03/2026 (quarta-feira)
19h – Monangambée + Alma no olho, de Zózimo Bulbul
05/03/2026 (quinta-feira)
16h – A trilogia do Carnaval (três curtas de Sarah Maldoror)
18h – A batalha de Argel
06/03/2026 (sexta-feira)
16h – Retratos de mulheres, retratos da negritude
18h – Curtas de Sara Gómez
07/03/2026 (sábado)
16h – Pensamento em movimento (três curtas de Sarah Maldoror)
18h – Aimé Césaire, um homem, uma terra
08/03/2026 (domingo)
16h – Sambizanga
18h – Sarah assistente (Elas + O legado da coruja, episódio 7)
09/03/2026 (segunda-feira)
18h30 – Prefácio a Fuzis para Banta
11/03/2026 (quarta-feira)
18h – Ôrí
12/03/2026 (quinta-feira)
18h – Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude
13/03/2026 (sexta-feira)
16h – O hospital de Leningrado
17h – Restaurar arquivos em vídeo da televisão. Curso com Nathanaël Arnould (INA-França), Eduardo Morettin (USP) e Daniela Siqueira (UFMS)
14/03/2026 (sábado)
17h – E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras, com comentários de Nathanaël Arnould (INA-França)
15/03/2026 (domingo)
16h – Curtas de Sara Gomez (sessão comentada por Nayla Guerra)
18h30 – Monangambééé + Alma no olho
16/03/2026 (segunda-feira)
19h – Sem sol
18/03/2026 (quarta-feira)
17h30 – Batalha de Argel
19/03/2026 (quinta-feira)
18h – E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras
20/03/2026 (sexta-feira)
18h30 – Uma sobremesa para Constance
21/03/2026 (sábado)
16h – Cais
17h15 – Exibição de Prefácio a Fuzis para Banta, seguido de Curso Memória e ancestralidade Lilian Santiago
22/03/2026 (domingo)
15h30 – Curso Sarah Maldoror Roteirista
18h – Uma sobremesa para Constance
Publicado em VEJA São Paulo de 20 de fevereiro de 2026, edição nº 2983





