‘Morra, Amor’: um retrato do caos em um casamento e da solidão materna
Jennifer Lawrence e Robert Pattinson interpretam um casal caótico em narrativa que sufoca e emociona
Um casamento caótico, infeliz e mais realista do que gostaríamos de admitir é o foco de Morra, Amor. Jennifer Lawrence e Robert Pattinson interpretam um casal nada perfeito no filme de Lynne Ramsay, com produção de Martin Scorsese.
Inspirada no livro da autora argentina Ariana Harwicz, a obra causa angústia pela condição dos personagens. Grace (Lawrence) e Jackson (Pattinson) são pais de primeira viagem que sofrem para lidar com as próprias responsabilidades e encontrar um equilíbrio nas tarefas domésticas.
Ela é uma escritora, que topa se mudar de Nova York para uma antiga casa de infância do marido, numa zona rural de Montana; ele é um músico meio baderneiro, que passa um bom tempo fora de casa devido às viagens de trabalho.
Quando estão juntos, a atmosfera é de caos, ao som de choro, gritaria e latidos (de um cão que Jackson adota contra a vontade da esposa). Os dois “se caçam” como animais. Ao mesmo tempo que fazem sexo de modo voraz, brigam e batem boca sem escrúpulos.
Os diálogos são mais grosseiros e menos polidos que os de Anatomia de uma Queda (2023) e História de um Casamento (2019) — o que não é ruim, pelo contrário, transmite crueza.
Em comparação a esses títulos, o filme tem como coringa uma reflexão necessária, que o toma por completo: a realidade solitária da depressão pós-parto e da maternidade. A diretora consegue sufocar e emocionar em apenas 2 horas.
NOTA: ★★★★☆
Publicado em VEJA São Paulo de 12 de dezembro de 2025, edição nº 2974





