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Filmes e Séries - Por Mattheus Goto

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“Cultura é indústria, gera emprego e imposto”, afirma Karine Teles

Homenageada na Mostra de Cinema de Tiradentes, a atriz carioca fala sobre os desafios do setor e seu primeiro longa como diretora

Por Mattheus Goto
31 jan 2026, 14h45 • Atualizado em 31 jan 2026, 14h46
Karine Teles na abertura da Mostra de Tiradentes
Karine Teles na abertura da Mostra de Tiradentes (Leo Fontes/Universo Produção/Divulgação)
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  • Karine Teles é a grande homenageada na 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. O evento ocupou a cidade mineira nas últimas semanas de janeiro com 137 filmes de 23 estados e chega ao fim neste sábado (31).

    A atriz, roteirista e diretora carioca vive um momento prolífico na carreira e se prepara para estrear na direção de um longa, com Princesa.

    Entre papéis de destaque em sua carreira, que vão além do cinema até a TV e o teatro, estão a matriarca Bárbara em Que Horas Ela Volta? (2015), a protagonista Irene em Benzinho (2018) e a forasteira em Bacurau (2019).

    No ano passado, interpretou Aldeíde Candeias no remake de Vale Tudo (2025) e mãe problemática em Salve Rosa (2025).

    Confira a seguir trechos da entrevista da Vejinha com Karine Teles.

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    Como você está se sentindo por ser homenageada na mostra?

    Estou muito feliz, muito honrada. Conheci a mostra pessoalmente em 2007, mas já a acompanhava. É uma mostra que eu admiro e acho de extrema importância para o país. É o tipo de coisa que a gente precisa para discutir e ajudar a fortalecer a nossa indústria, né? Porque cultura é indústria, cultura gera emprego, gera imposto. Além de trazer alegria, entretenimento e reconhecimento para o nosso país.

    Acha que o sucesso internacional de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto estão refletindo aqui no país?

    Toda vez que alguma coisa que é produzida dentro do Brasil gera um reconhecimento internacional é motivo de comemoração. Como qualquer indústria, a exportação desse produto que é a nossa cultura é sempre benéfica para o país e para o nosso povo, porque eventualmente vai atrair mais interesse, que pode atrair mais investimento. que no final das contas vai gerar mais emprego, vai gerar mais renda, vai reverter em impostos para o nosso país. Então, é um motivo de comemoração, mas eu acho que a gente está ainda num momento frágil da indústria cinematográfica. A gente está se recuperando de uma fase de apagão, em que pouquíssima coisa aconteceu e mais uma vez retomando, respirando e tendo fôlego para seguir. Acho que a gente precisa avançar muito em muitos aspectos e torço e tenho a esperança de que esse barulho todo que o cinema brasileiro tem feito nos dois últimos anos contribua também para fazer com que as pessoas entendam que é trabalho. Que o dinheiro que é investido é usado para pagar pessoas que estão trabalhando nesses nesses projetos, que isso gira a economia e é o ganha-pão de muitas famílias no no nosso país

    Você se transforma muito de um papel para o outro. Como é a sua preparação?

    Eu não tenho muito um método, não. Tenho vontade de fazer coisas muito diversas. A primeira coisa que eu faço é ouvir quem está pedindo a minha contribuição. O que a pessoa deseja, qual é o projeto, qual é a forma que aquela personagem vai contribuir para a história ou vai participar da discussão. A partir daí, vou entender se se vai ter uma preparação, se não vai ter, se eu vou trabalhar mais sozinha. A única coisa que eu faço em todos os meus trabalhos é procurar referências, de outros artistas ou na vida real. No caso de Salve Rosa, a minha personagem é uma psicopata, eu fui assistir entrevistas e documentários para ver como essas pessoas se comportam, para estar estar em cena da maneira menos crítica possível. Quando o personagem está claramente no lado errado da discussão, a gente corre o risco de já colocar a nossa opinião, mas quem tem que pensar é quem está assistindo.

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    Sobre Salve Rosa, por que se interessou pelo filme?

    Salve Rosa começou pela Susana Lira, que é uma cineasta que eu admiro já há muito tempo. A gente se conhece, estava tentando trabalhar juntas quando apareceu esse projeto e deu tudo certo. Também sou mãe de adolescentes, dois meninos e uma menina, e esse tema do uso da internet e das redes sociais é muito recorrente lá em casa. São grandes discussões a respeito disso. Via muitas outras mães e pais também achando que a gente precisa falar sobre isso, que precisa melhorar, que não tem regulamentação, que a gente está muito abandonada na luta contra os efeitos nocivos do uso das redes sociais. E então foi por conta disso que eu aceitei.

    O que mais a interessa em um papel?

    Não necessariamente precisa ter uma discussão que vai me interessar. Eu também vou querer fazer alguma coisa porque tem algum elenco que eu quero trabalhar, porque vai me levar para um lugar que eu nunca fui. E às vezes é só o trabalho que aparece no momento que foi para pagar minhas contas também. Acho isso importante de ser dito assim. Somos sempre vistos no 1% do glamour na nossa profissão, e não é, a gente rala muito. É uma profissão instável, em que a gente não tem segurança nenhuma, são pouquíssimos os artistas com carteira assinada. Então às vezes é um projeto que aparece no momento e eu vou aceitar e fazer com o mesmo amor, com a mesma dedicação, com a mesma entrega.

    O que pode falar sobre Princesa?

    O Princesa é um projeto que eu já estou colhendo há muito tempo, desde antes da pandemia. A gente participou de encontros internacionais de coprodução, em Roterdã, foi um momento muito bacana para o projeto. Participamos do Cine BH. É um projeto sempre muito bem recebido, que desperta muito interesse, mas a gente teve esse momento de apagão, de falta de Ministério da Cultura (no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro) e tudo isso. Estamos retomando e está rolando um funil muito grande. Muita gente e muitos projetos muito interessantes, porque a gente é um país com muito talento. A gente está tentando retomar e descobrir de que forma a gente vai viabilizar esse projeto. Eu tive a consultoria de roteiro do Kleber Mendonça Filho, ele contribuiu imensamente. É um filme em que eu uso o gênero como o meu aliado para a discussão, que vai falar sobre o caminho que leva uma confusão dentro de relacionamentos afetivos até gerar essas violências horríveis que a gente não aguenta mais ler no jornal todo dia. Todo dia eu vejo uma notícia de uma mulher que sofreu violência, foi assassinada. A gente precisa falar sobre essas histórias, que começaram no amor e terminaram nesse lugar horrível

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    Tem algum outro projeto ou meta no radar?

    Minha meta principal é continuar trabalhando. É o meu desejo quando olho para o meu futuro, a minha vontade é sempre ter trabalho, porque é a parte que eu mais gosto. Mas eu estou com muita saudade do teatro, porque eu não faço há um tempo. Tem um projeto que eu estou tentando levantar, ainda não tem dinheiro nem data, espero em breve poder falar sobre.

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