‘Jay Kelly’ reúne estrelas de Hollywood em história de ator antipático
George Clooney, Adam Sandler e Laura Dern juntam-se em filme da Netflix sobre artista que priorizou a carreira e abandonou a família
O cineasta Noah Baumbach tem uma aptidão especial para fazer o perfil de figuras “falidas”, seja de uma aspirante a bailarina em Frances Ha (2012) ou de marido e mulher em História de um Casamento (2019).
Em Jay Kelly, a figura da vez pode parecer inabalável, mas por trás da armadura há um “herói” em pedaços: o ator chamado Jay Kelly (George Clooney), em crise de identidade e princípios.
O astro embarca em uma viagem a Europa junto do empresário Ron (Adam Sandler) em busca de passar mais tempo com a filha Daisy (Grace Edwards) antes dela ir para a faculdade. Ela havia negado o pedido do pai — que sempre priorizou a carreira e foi ausente — para viajar com os amigos, e ele vai atrás do grupo.
A consciência pesa e essa aversão à sua figura o faz questionar as decisões que fez na vida, pensando apenas na carreira e abandonando a vida pessoal. Jay percebe que talvez nem tenha amigos verdadeiros.
Para ser bem sincero e objetivo, é um personagem chato, que não tem atitudes justificáveis para ter a empatia do público. O retrato não brilha tanto quanto o dos outros dois filmes citados de Baumbach, pela falta de simpatia do personagem e de identificação com o público. Deve ser muito difícil ser um ator famoso rico, né?
O desenvolvimento não empolga nem um pouco. Porém, diverte minimamente com grandes estrelas de Hollywood, em especial Laura Dern no papel da publicista Liz e Patrick Wilson como o ator rival Ben Alcock.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 9 de janeiro de 2025, edição nº 2977





