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Filmes e Séries - Por Mattheus Goto

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Cacá Diegues: um legado único na história do cinema brasileiro

Zezé Motta, Walter Salles e outros amigos e colegas de trabalho lamentaram a perda; cineasta alagoano deixou filme que estreia neste ano

Por Mattheus Goto, com colaboração de Vanessa Barone
14 fev 2025, 19h35 • Atualizado em 14 fev 2025, 19h52
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Mestre do cinema brasileiro: Cacá Diegues (Cacá Diegues/Reprodução)
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  • O país perdeu uma lenda da sétima arte nesta sexta-feira (14). Cacá Diegues, cineasta essencial para a história do Brasil, diretor de clássicos como Bye Bye Brasil (1979), Tieta do Agreste (1995) e Deus É Brasileiro (2003) e um dos fundadores do Cinema Novo, morreu no Rio de Janeiro, aos 84 anos, devido a complicações antes de uma cirurgia, deixando um legado inigualável.

    Amigos e colegas da área que trabalharam e conviveram com o cineasta alagoano lamentaram a perda. “Cacá Diegues era um mestre amoroso e lúcido, de uma profunda inteligência e generosidade”, afirma o diretor Walter Salles, 68. “É uma perda irreparável para o cinema brasileiro e para a cultura do país. Perdi hoje um farol e um amigo”, ele acrescenta.

    “Ele foi um grande cineasta, mas também um grande aliado e pensador do audiovisual. Fará muita falta”, diz o produtor Rodrigo Teixeira, 48.

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    Betty Faria em “Bye Bye Brasil” (Reprodução/Reprodução)

    A atriz Zezé Motta, 80, que fez cinco filmes com o cineasta, incluindo Xica da Silva (1976), expressou tristeza em seu perfil nas redes sociais. “Está sendo difícil demais a dor de hoje, fica aqui registrada a minha eterna gratidão a este homem incrível”, escreveu. “Cacá sempre me chamou para papéis importantes, era sempre à frente do tempo e pensava em coisas que eu nunca imaginaria que daria tão certo. Ir para Cannes, com ele, foi uma emoção à parte. Cacá sempre foi um irmão, um amigo e um dos grandes responsáveis pela minha história no cinema nacional. A minha gratidão é e sempre será eterna.”

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    Nascido em Maceió, em 19 de maio de 1940, Carlos José Fontes Diegues se mudou com a família para o Rio aos 6 anos de idade. Na capital fluminense, viveu a juventude no bairro do Botafogo. Estudou Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio).

    Na época, não havia faculdade de cinema no país. Mas, como amante da sétima arte, fundou um cineclube na instituição e começou a realizar trabalhos como cineasta amador. E, como estudante, virou diretor do jornal O Metropolitano, da UME (União Metropolitana de Estudantes).

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    Zezé Motta em “Xica da Silva” (Divulgação/Divulgação)
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    As comunidades de cinéfilos que ele ajudou a formar na PUC e no veículo de mídia são consideradas cruciais para a fundação do Cinema Novo, do qual Diegues foi um dos líderes, ao lado de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Paulo César Saraceni, Joaquim Pedro de Andrade e outros.

    Em seus primeiros longas, inspirou-se em utopias para o mundo. Continuou atuando também como jornalista e fez parte da resistência à ditadura militar. Deixou o Brasil em 1969 para viver na Europa.

    Cacá fez mais de vinte filmes, sempre com reconhecimento em festivais internacionais, como Cannes, Berlim e Veneza. Foi o diretor brasileiro mais selecionado como representante do Brasil no Oscar, somando sete filmes eleitos pela Academia Brasileira de Cinema, mas nunca conseguiu uma indicação.

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    Antonio Fagundes e Wagner Moura em “Deus É Brasileiro” (Reprodução/Reprodução)

    Em 2018, Cacá foi eleito como ocupante da cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele herdou o lugar deixado por Nelson Pereira dos Santos.

    O cineasta, que deixa a esposa, Renata Almeida Magalhães, quatro filhos e três netos, estava finalizando seu próximo filme, uma continuação do clássico Deus É Brasileiro. “Ter tido a oportunidade de trabalhar com ele foi uma honra”, comenta Fernanda Colin, 45, continuísta da obra.

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    Estrelado por Antonio Fagundes, o longa foi gravado em Maceió, em um cenário “lindíssimo, com um clima muito tranquilo e alegre”. “Cacá transmitia felicidade. A rotina de filmagens respeitava o ritmo dele que, pela idade, já não aguentava longas horas de trabalho. A convivência com toda a equipe foi muito boa. Esse trabalho foi um presente.”

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    Cacá Diegues e Fernanda Colin (Arquivo pessoal/Divulgação)
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    Antonio Fagundes e Cacá Diegues, no set de “Deus Ainda É Brasileiro” (Arquivo pessoal/Divulgação)
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    Deus Ainda É Brasileiro está em fase de finalização e tem estreia prevista para outubro deste ano.

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