‘Blue Moon’ é um presente para fãs de musicais — e não muito além disso
Ethan Hawke entrega performance impecável e fundamental no estudo de personagem do lendário letrista Lorenz Hart
O diretor Richard Linklater dedicou seus dois filmes mais recentes a nichos específicos da arte. Enquanto Nouvelle Vague celebra o cinema francês, Blue Moon é um deleite para os fãs de teatro musical, ambos criados a partir de pessoas e fatos reais. Quem não sabe do que se trata pode ficar perdido, mas quem é familiar aos assuntos ganha um presente.
No caso do segundo filme, a proposta é ainda mais tentadora, por ter Ethan Hawke, parceiro com quem fez a trilogia do Antes, como figura central. O ator, indicado ao Oscar pelo papel, está presente em quase todas as cenas. É praticamente um grande monólogo.
O enredo gira em torno do lendário letrista Lorenz Hart (1895-1943), mais especificamente em uma única noite de sua vida — o que exige um pouco mais de disposição do público sem familiaridade para digerir a falação sem fim. Em 31 de março de 1943, o artista expressa sinais de uma crise de autoconfiança no bar Sardi’s, enquanto seu ex-colaborador Richard Rodgers comemora a noite de estreia de seu inovador musical “Oklahoma!”.
Inúmeros espetáculos musicais memoráveis são mencionados, como Babes in Arms, A Connecticut Yankee, Pal Joey e By Jupiter. Quando Elizabeth (Margaret Qualley) entra em cena, questões sobre identidade e sexualidade vêm à tona.
Em um pequeno recorte da vida de Lorenz, em seu último ano de vida, entendemos muito sobre quem ele foi, graças à performance impecável de Hawke, que se comunica até quando não tem falas.
O filme está disponível para aluguel no Prime Video e Apple TV.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 6 de março de 2026, edição nº 2985





