Diretores de ‘Ato Noturno’: ‘No nosso cinema, o desejo é muito político’
Filme de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon narra caso entre ator e poítico que descobrem gostar de fazer sexo em lugares públicos
Os gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon unem tesão, suspense e política em Ato Noturno. Com um estilo à la Hitchcock (1899-1980), o filme gera tensão ao imaginar um caso entre um ator gay e um candidato a prefeito de Porto Alegre.
Matias (Gabriel Faryas) e Rafael (Cirillo Luna) descobrem ter fetiche em sexo em lugares públicos e tentam conciliar objetivos profissionais com o desejo de ter um ao outro.
“O filme surgiu de um interesse nosso de seguir trabalhando com a ideia de performance, tanto no sentido de ofício enquanto ator, mas também no âmbito social, das construções que todos nós fazemos para conquistar ou pertencer na sociedade”, comenta Filipe, em entrevista a Vejinha.
“O desejo e o erótico são sempre presentes na nossa obra, a gente repensa a função delas e como a gente vai explorar esses elementos em cada filme”, conta.
Sobre o porquê acham que o erotismo chama tanta atenção hoje em dia, como na série Heated Rivalry, Marcio comenta: “A gente está vivendo uma onda conservadora muito forte, dentro de uma extrema direita, claro, mas muitas vezes também entre ‘progressistas’. Começa a se rechaçar a ideia do desejo, a ideia de um cinema que se relaciona com o erótico e a gente não quer abrir mão. No nosso cinema, o desejo é muito político”.
Para eles, o momento atual não é muito tolerante para identidades queer (não heteronormativas). “Por mais que a gente veja casos de políticos que se declaram publicamente gays e conseguem seguir na carreira, vemos que eles se apresentam alinhados a ideologias mais conservadores ou de formas bastante masculinas, bastante higienizadas e que isso são frequentemente negociações, pactos que essas pessoas fazem para poder se manter ativos na sua profissão”, diz Marcio.





