‘Anaconda’: Selton Mello rouba a cena com personagem peculiar
Remake metalinguístico diverte com ator brasileiro, Jack Black e Paul Rudd no elenco, mesmo com estilo por vezes desgastado
Não é um remake, não é uma continuação, é uma “sequência espiritual”: o novo Anaconda quer replicar a essência do original, de 1997, com uma história diferente. O longa de Tom Gormican mergulha fundo na metalinguagem, uma tendência entre as comédias de Hollywood, que funciona bem em alguns momentos — apesar dos sinais de desgaste nesse estilo de humor.
O elenco é estrelado, com Jack Black, Paul Rudd, Steve Zahn e Thandie Newton nos papéis de quatro amigos que, em crise de meia-idade, decidem refazer o filme favorito da juventude. Mas quem chama atenção do público brasileiro é Selton Mello, na pele de Carlos Santiago, um domador de cobras que orienta e auxilia o grupo na viagem pela Amazônia.
O personagem já seria engraçado por si só, por ser uma figura peculiar, mas o ator brasileiro aproveita todo o potencial. A estranha e devota paixão do sujeito pelas serpentes gera gargalhadas.
A aventura fica ainda mais perigosa quando uma verdadeira anaconda sai pela floresta e garimpeiros ilegais colocam vidas em risco em prol de interesses próprios.
A escalação da portuguesa Daniela Melchior, uma boa atriz, poderia ter sido mais explicada ou endereçada — como uma reflexão sobre a colonização portuguesa no Brasil — mas fica parecendo aleatória, pelo sotaque diferente.
Nota-se também que o roteiro, obviamente escrito em inglês, fica engessado nas falas em português, exceto no caso de Selton — que certamente deve ter dado um toque ao diretor para deixá-las mais naturais. A participação especial que aparece no final e a cena pós créditos são sensacionais.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 26 de dezembro de 2025, edição nº 2976





