‘A Noiva!’ tenta, mas não consegue alcançar as próprias ambições
Jessie Buckley se transforma em papel de namorada de Frankenstein, que não atinge uma realização completa
A premissa de A Noiva! tinha potencial: fazer um retrato digno para a protagonista de A Noiva de Frankenstein (1936), que foi reduzida a uma perspectiva machista.
A diretora e roteirista Maggie Gyllenhaal, com uma visão artística requintada, e a atriz Jessie Buckley, uma camaleoa sempre em transformação, pareciam ser a dupla perfeita para o projeto. O filme é bem ambicioso e aposta em diferentes formatos e gêneros. As tentativas ousadas merecem mais aclamação do que o resultado em si, que é confuso e incoerente.
A história é narrada por Mary Shelley (interpretada por Buckley), escritora do livro Frankenstein (1818), que começa a história assumindo que a Noiva era maior do que ela própria foi capaz de criar, diante dos costumes da época.
Ao longo de toda a produção, ela entra em ação em momentos de virada ou ação. As inserções ficam um pouco óbvias e pretensiosas, sem subtextos nem sutilezas. Ela é uma força motiva para os eixos da narrativa e a transformação da protagonista.
Desde a morte, que acontece sob circunstâncias suspeitas, até a ressuscitação pela cientista maluca Cornelia Euphronious (Annette Bening), para viver um romance com Frankenstein (Christian Bale), a Noiva (Buckley) é uma vítima dos anseios masculinos sobre seu corpo.
Quando volta a viver, não tem nenhuma memória e tenta descobrir o próprio nome. Vive então uma vida de crime, à la Bonnie e Clyde, e é perseguida pelos detetives Jack Wiles (Peter Sarsgaard) e Myrna Malloy (Penélope Cruz) — sem dúvidas, os personagens menos interessantes.
Em suma, o filme tem romance, crime, empoderamento feminino, terror e ficção científica. Propostas ousadas, como a sequência de dança e os cortes da narradora-escritora, são prejudicadas pela escrita imprecisa e inconsistente no roteiro.
Parece que a Noiva nunca alcança a realização completa que merece e nem consegue expressar exatamente o que sente. Ela passa mais tempo perguntando sobre o próprio nome do que descobrindo quem é e fica à mercê do parceiro homem.
A atitude mais admirável aqui é a diretora ter tentado e conseguido aprovar com o estúdio essas escolhas estilísticas.
NOTA: ★★☆☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 13 de março de 2026, edição nº 2986





