‘A Garota Canhota’ tem roteiro de Sean Baker e atriz mirim adorável
Diretor do fenômeno 'Anora' também assina produção e montagem do filme de diretora taiwanesa, disponível na Netflix
Depois de fazer história no Oscar deste ano e levar quatro prêmios por Anora (2024), Sean Baker embarca como roteirista, produtor e montador de A Garota Canhota, disponível na Netflix.
Trata-se do longa de estreia na direção solo da taiwanesa Shih-Ching Tsou, disponível na Netflix. É possível notar os toques do cineasta americano, como a trilha sonora e o design de produção, que lembram o encantador Projeto Flórida (2017), mas soa como uma história bem pessoal da diretora.
O filme acompanha I-Jing, vivida pela adorável e fofíssima Nina Ye, a tal menina canhota que se muda com a família para Taipei. A mãe tenta se reerguer economicamente com uma barraca de comida na feira noturna e a irmã trabalha em uma loja, com atividades secretas como segunda fonte de renda.
A adaptação à nova realidade fica mais difícil quando o avô desestimula I-Jing a ser canhota, argumentando que a mão esquerda é “do diabo”. Isso mexe com a cabeça da pequena e instabiliza ainda mais as coisas.
As três não precisam dizer muito para que o espectador entenda as dores de cada uma e torça por elas. Até os atos mais condenáveis são desculpáveis diante de atrizes tão carismáticas — as caras e bocas de Nina Ye valem por tudo —, que mostram grande conhecimento das personagens e definitivamente foram bem dirigidas.
A aventura é totalmente envolvente. Só não ganha mais uma estrela pelo final abrupto — queria ver mais de I-Jing.
NOTA: ★★★★☆
Publicado em VEJA São Paulo de 26 de dezembro de 2025, edição nº 2976





