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Vinho e Algo Mais

Por Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Saiba a temperatura correta para servir cada tipo de vinho

Armazenamento inadequado afeta a qualidade da bebida

Por Marcelo Copello 7 out 2022, 06h00 | Atualizado em 10 out 2022, 10h29
Três garrafas de vinho, uma de rosé, uma de jerez e um tinto
Para cada casta, uma temperatura: no Brasil, é raro não ter a necessidade de resfriar um vinho (Fotos/Divulgação)
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“Pra fazer uma boa teoria é preciso muita prática”, vaticinou Millôr Fernandes. Pena que o guru do Méier não era afeito ao vinho, senão, estimulado pela bebida, acredito que teria criado ainda mais frases geniais como essa. De qualquer modo, a máxima citada veste como uma luva no mundo da bebida, que é cheio de teorias e regras. Mas de onde vieram? Da prática, é claro. O perigo é que muitas vezes essas normas, que nasceram em outras épocas e em outras circunstâncias, são aplicadas de forma dogmática até hoje. Um dos melhores exemplos vem daquela que diz respeito à temperatura de serviço. Já ouviram falar que “tintos devem ser servidos à temperatura ambiente”? Totalmente errada, essa regra antiga possivelmente nasceu durante um inverno europeu, quando as garrafas saíam de uma adega fria no porão e precisavam ser aclimatadas perto de uma lareira. Para não haver erro na hora de pôr o vinho na taça, conheça as temperaturas consideradas ideais.

6 a 8 graus – espumantes e vinhos brancos doces, como bruts, moscatéis, sauternes, moscato, tokaji, auslese, late harvest.

8 a 10 graus – brancos meio doces, alguns brancos secos leves e espumantes rosé — gewurztraminer, vinho verde, muscadet, sancerre, frascati, orvieto, chenin blanc, chablis, sauvignon blanc em geral.

10 a 12 graus – brancos secos de médio corpo e rosados. Exemplos: bordeaux brancos, jerez fino, alemães secos de qualidade, soave, chardonnay.

12 a 14 graus – brancos mais encorpados e tintos ligeiros. Ou seja, borgonhas brancos 1er cru e grand cru, beaujolais, chinon, valpolicella, bardolino.

14 a 16 graus – tintos de médio corpo, como côtes du rhône genéricos, chianti comum, barbera, zinfandel.

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16 a 18 graus – tintos de médio a bom corpo, tintos envelhecidos, tintos mais macios e menos taninosos, tintos mais alcoólicos. Exemplos: Porto, borgonha, supertoscanos, primitivo, châteauneufdu- pape, amarone.

18 a 20 graus – tintos secos de muitos taninos e não muito álcool. Exemplos: bordeaux tinto grand cru, barolo, barbaresco, brunello di montalcino, rioja reserva e gran reserva.

 

Caso você não possua uma adega climatizada ou mesmo um termômetro de vinhos, aí vão algumas dicas úteis:

– Na parte interna da porta de um refrigerador, a temperatura fica em torno de 10-12 graus.

– No fundo da geladeira, junto à placa fria, a temperatura ronda os 3-5 graus.

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– Para os tintos que pedem temperaturas mais altas do que 12 graus, deixe-os gelar na porta por um período de, no máximo, duas horas.

– Evite manter vinhos por muitos dias na geladeira, pois a vibração não fará bem à bebida.

– É aconselhável usar um balde com gelo e água gelada.

– Nesse caso, deixe os tintos mais potentes por cerca de dez minutos e depois os retire.

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Château de Pourcieux Provence Rosé. Um autêntico rosé da Provence, colecionador de prêmios, elaborado com as syrah, grenache, cinsault, cabernet sauvignon e vermentino. Com aromas intensos de frutas vermelhas, cítricos e florais, elegante e delicioso. Paladar de boa estrutura, para combinar com uma boa gama de pratos. Para tomar a 10 graus. R$ 132,51, nas Americanas.

Jerez Fino Tio Pepe. É o jerez mais conhecido no mundo. O fino é o tipo de jerez mais leve e fresco, para ser tomado a 10 graus. Apesar dos seus 15% de álcool, é uma bebida de grande frescor, muito versátil à mesa e tem casamento perfeito com pratos como o gaspacho. R$ 208,90, na Amazon.

Louis Latour Beaujolais-Villages. Um Beaujolais Villages do produtor Louis Latour, nome mais conhecido por seus borgonhas. Elaborado com 100% uvas gamay, pelo método de maceração carbônica, que garante frescor, leveza e frutuosidade. Beba a 14 graus. R$ 176,40, nas Americanas.

Publicado em VEJA São Paulo de 12 de outubro de 2022, edição nº 2810

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