Os melhores vinhos para um piquenique no parque
Confira rótulos e dicas para levar sua bebida e desacelerar ao ar livre
Num domingo de sol no Ibirapuera ou no Villa-Lobos, a cena se repete: uma toalha estendida, pão cortado de forma irregular, frutas, queijo, uma garrafa envolvida em pano úmido para manter o frescor. Nada de ostentação. Nada de balde de prata. Apenas vinho e tempo. Em uma capital movida à pressa, talvez o verdadeiro propósito seja este: sentar na grama e relaxar. São Paulo nunca foi uma cidade óbvia para o ócio. Aqui, até o lazer costuma ter hora marcada. Restaurantes disputados, reservas difíceis, contas altas.
O piquenique com vinho surge como um antídoto contra esse excesso de formalidade. Essa refeição frugal apenas para adultos devolve a bebida ao seu lugar original: a convivência. Não se trata de transformar o parque em wine bar ao ar livre. Ao contrário. A graça está na discrição. Uma garrafa bem escolhida e transferida para um recipiente de plástico ou metal antes de sair de casa, servida por lá em copos ou taças pequenas, de preferência de plástico. O gesto importa mais do que o aparato. O vinho, fora do ritual pesado da mesa formal, revela outra face: mais leve, mais espontânea. Mas qual deles levar?
Espumantes funcionam muito bem, especialmente os mais secos e vibrantes, e os únicos que se recomenda levar na garrafa. Brancos aromáticos e de boa acidez acompanham bem frutas, saladas e queijos leves. Tintos também são possíveis, desde que sejam menos alcoólicos, com taninos macios e servidos ligeiramente refrescados. Seria um erro selecionar um denso demais, que exige decantação, tempo e concentração.
Outro ponto importante é a adequação. O piquenique não combina com exibicionismo. Rótulos raros ou excessivamente caros destoam da proposta. Elegância, nesse caso, significa coerência com o ambiente. A melhor escolha é aquela que se integra à paisagem — não a que tenta dominá-la.
Há também uma pequena etiqueta implícita. Levar água, guardanapos, um saco para recolher o lixo. Não deixar resíduos. Não exagerar no volume da conversa. Não ocupar mais espaço do que o necessário. O charme desse tipo de encontro está em conviver com a cidade, não em se impor a ela. A dupla Ibirapuera e Villa-Lobos, onde o consumo é permitido, oferece gramados generosos e movimento suficiente para que a experiência seja confortável durante o dia. E há algo de curioso nessa mistura: prédios ao fundo, helicópteros no céu, bicicletas passando em um diálogo com a metrópole. Em uma cidade que nunca para, o luxo pode ser desacelerar.
Espumante Maraví Brut
Feito pela Miolo para a Wine, com uvas do Vale do São Francisco, chenin blanc (50%) e french colombard (50%), pelo método charmat. Palha claro, com boa perlage. Aroma cítrico, com notas de limão e abacaxi. Paladar leve e fresco, com boa cremosidade. R$ 44,90, na Wine.
Bosque Sur Winemaker Selection
Da Bodegas y Viñedos de Aguirre. Blend de uvas tintas do Vale Central no Chile, sem passagem por madeira. Cor vermelho-rubi. Aromas de frutas vermelhas, cereja, morango, ameixa. Paladar leve e fácil de beber, com apenas 12,5% de álcool. R$ 39,90, na Evino.
Publicado em VEJA São Paulo de 6 de março de 2026, edição nº 2985.
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