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Vinho e Algo Mais

Por Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Conheça as muitas faces da pinot grigio

Da França à Itália, a uva conquistou consumidores e hoje se tornou o novo fenômeno de público

Por Marcelo Copello 17 jul 2026, 06h00
Cacho de uvas maduras com tons de roxo, rosa e amarelo, pendurado em um galho com folhas verdes, sob luz solar
Uva pinot grigio (Freepik/Divulgação)
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Ela está na moda, e com razão. Há alguns anos, a pinot grigio era matéria-prima de só mais um branco na gôndola; hoje, aparece na taça da mesa ao lado, no rótulo que o amigo recomenda, na carta do restaurante que antes só oferecia chardonnay e sauvignon blanc. Virou tema de conversa. E quando um vinho vira conversa, vale conhecer de onde ele vem.

A história começa na França, com outro nome: pinot gris. É uma mutação da pinot noir, a grande tinta da Borgonha. A casca fica num tom acinzentado, quase rosado, e desse cinza nasceu o “gris”. Ao cruzar os Alpes e se instalar na Itália, foi rebatizada de “grigio”. Um só fruto, dois nomes e, como se verá, muitas faces.

Na Alsácia, no nordeste francês, ela mostra sua versão mais grandiosa. O pinot gris alsaciano é encorpado e perfumado, de mel, damasco e fruta madura, por vezes em versão doce para sobremesa. Os melhores envelhecem com nobreza por uma década ou mais e pedem prato à altura: uma ave assada, um foie gras, um queijo de pasta mole. É potente, é vinho de guarda.

No Friuli, no extremo nordeste italiano, a uva ganha outra seriedade. Ali ela tem textura, profundidade e, às vezes, a cor alaranjada, obtida na maceração com as cascas. São vinhos de garfo e faca, que também agradecem alguns anos de garrafa. Quem só conhece o pinot grigio leve costuma se espantar.

Porque a fama mundial veio de outro canto: o Vêneto. Foi ali que nasceu o estilo que conquistou o planeta. Pálido, fresco, quase neutro, com um toque de açúcar residual que arredonda as arestas, ele é fácil, facílimo de beber. Agrada de primeira a quem não quer complicação e gosta de algo extremamente leve e macio. É o branco que cabe em qualquer ocasião e em quase qualquer bolso, e foi assim que virou um fenômeno, dos EUA ao Japão.

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Os críticos torcem o nariz. Acham-no simples, diluído, e não estão de todo errados. Mas perdem o ponto: é justamente por ser fácil que o pinot grigio do Vêneto, ou no “estilo vêneto”, abriu a porta do vinho para milhões de iniciantes. Encanta o consumidor exatamente onde o especialista bufa.

E o sucesso multiplica vinhedos. A uva avança pelo mundo, da Califórnia à Austrália, e o Brasil já entrou na dança: temos pinot grigio nacional, da Serra Gaúcha à Campanha, alguns de qualidade, provando que a moda também fala português.

Volto ao começo. Poucas uvas trocam de rosto como esta: pode ser o branco displicente da varanda ou o tinto branco sério da adega. A graça da pinot grigio é caber nos dois lugares e deixar que você escolha de qual lado da mesa quer sentar.

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Tralcetto Terre d’Abruzzo Pinot Grigio 2024

Da Cantina Zaccagnini, de Abruzzo-Itália. 100% pinot grigio, sem madeira. Cor amarelo-palha claro, com reflexos esverdeados. Aroma com notas de maçã verde, pera, flores brancas, cítricos e amêndoa. Paladar seco, leve e fresco com 12,5% de álcool. Servir gelado (8-10º C), ideal para aperitivo ou pratos leves. R$ 129,29 na Wine.

Musti Nobilis Pinot Grigio delle Venezie Doc

Da Vini de Angeli, nasce no Vêneto, berço do estilo que conquistou o mundo pela leveza. Sem madeira, traz cor amarelo-palha e aromas de maçã verde e cítricos. Na boca, é o retrato da uva em sua versão mais fácil: fresco, de acidez equilibrada e 12% de álcool. Sirva gelado, como aperitivo ou com saladas e pescados. R$ 79,90 na Evino.

Publicado em VEJA São Paulo de 17 de julho de 2026, edição nº 3004.

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