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Vinho e Algo Mais

Por Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Mulheres, vinhos e novidades da ciência

Longe de ser uma questão de resistência, são diferenças biológicas que fazem que elas sintam mais intensamente os efeitos do álcool

Por Marcelo Copello 3 jul 2026, 06h00
Mulher de cabelos castanhos e blusa roxa, com um colar discreto, segurando uma taça de vinho branco e levando-a à boca, em um ambiente externo com luz natural
Mulheres e vinhos: novidades na ciência (Magnific/Reprodução)
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Cena clássica: mesa de jantar, boa companhia, uma garrafa dividida igualmente entre ela e ele. Na terceira taça, ela sente a cabeça leve. Ele, nada. E aí vem o comentário inevitável — dito com um sorrisinho benevolente: “você não tem resistência mesmo.” Resistência. Como se beber fosse uma habilidade treinável. Como se o problema fosse a falta de prática.

Uma reportagem recente da Deutsche Welle reuniu pesquisadores de diferentes países para explicar o que os médicos sabem há tempos: mulheres sentem mais rapidamente o efeito do álcool do que homens, não por falta de hábito, mas por biologia.

O ponto de partida é simples: o etanol — o álcool presente em qualquer bebida, do espumante ao uísque — se dissolve em água, não em gordura. O corpo feminino tem, em média, uma proporção menor de água e maior de gordura do que o masculino. Resultado: a mesma dose de álcool se concentra em menos líquido, e a taxa de alcoolemia sobe mais rápido. Simples assim.

Mas tem mais. As mulheres produzem até 40% menos de uma enzima chamada álcool desidrogenase, a responsável por começar a quebrar o álcool ainda no estômago, antes que ele chegue ao sangue. Menos enzima, mais álcool livre circulando.

Mas a história não termina no estômago nem no fígado. O que acontece quando o álcool chega ao cérebro também é diferente, dependendo do sexo biológico — aqui vale olhar com interesse sobre o impacto da bebida.

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O estrogênio, principal hormônio sexual feminino, influencia diretamente os circuitos de recompensa do cérebro. São os mesmos circuitos que o álcool aciona para produzir aquela sensação de relaxamento, euforia leve e sociabilidade aumentada que todos conhecemos e que, sejamos honestos, é parte importante do prazer de uma boa taça.

Pesquisas em neurociência sugerem que o estrogênio pode amplificar essa resposta, tornando os efeitos prazerosos do álcool mais salientes para mulheres.

Traduzindo sem rodeios: o vinho pode ser, literalmente, uma experiência mais rica para elas. Não porque bebam mais, mas porque o cérebro feminino responde com mais sensibilidade aos sinais de prazer que o álcool desencadeia. É uma diferença que os sommeliers mais atentos perceberam empiricamente: mulheres frequentemente descrevem aromas e sabores com mais precisão e nuance, e talvez haja biologia nessa percepção aguçada também.

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Há ainda que se considerar o ciclo menstrual. Ao longo do mês, o organismo feminino passa por oscilações hormonais, em particular nesse período. Conhecer esse ritmo é parte de uma relação mais inteligente e prazerosa com o vinho.

Garrafa de vinho tinto EPU 2012 com rótulo branco e pontos vermelhos, ao lado de uma garrafa de espumante rosé Chandon Passion com rótulo branco e dourado
Sugestão de rótulos (Reprodução/Reprodução)

Chandon Passion Rosé

Espumante rosé brasileiro, da franco-gaúcha Chandon, elaborado com uvas malvasia di candia, moscato e pinot noir. De cor rosa-salmão. Aroma de flores, rosa, maracujá, lichia, pêssego. Paladar meio-doce, com acidez refrescante e apenas 11,8% de álcool. Perigosamente fácil de beber. R$ 129,90, na Evino.

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Almaviva EPU 2022

É o segundo vinho do Almaviva. 80% cabernet sauvignon, 15% carménère e 5% merlot, com doze meses em barricas de carvalho francês. Cor rubi escuro. Aroma de muita fruta, vermelha e negra madura, além de ervas, especiarias e baunilha. Paladar encorpado, com taninos finos e boa acidez. Conjunto equilibrado e complexo. Atenção: 15,5% de álcool. R$ 599,90, na Wine.

Publicado em VEJA São Paulo de 03 de julho de 2026, edição nº 3002.

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