Serial killer que atraía homens por anúncios matrimoniais inspira novo romance
Em 'Meus Homens', a escritora Victoria Kielland revisita a juventude de Belle Gunness, suspeita de uma série de assassinatos nos Estados Unidos
Atraídos por anúncios matrimoniais publicados nos jornais do início do século XX, homens chegavam com dinheiro a uma fazenda em La Porte, no estado americano de Indiana. Muitos jamais eram vistos novamente.
A proprietária era Belle Gunness, imigrante norueguesa nascida Brynhild Størset que entraria para a história como suspeita de um dos mais misteriosos casos de assassinatos em série dos Estados Unidos. Os crimes vieram à tona em 1908, quando um incêndio consumiu a casa e deixou entre os escombros os corpos de três crianças e de uma mulher decapitada, cuja identidade nunca foi comprovada. Nas semanas seguintes, investigadores encontraram os restos mortais de pelo menos treze pessoas enterradas na propriedade.
É dessa história que parte a escritora norueguesa Victoria Kielland em Meus Homens (Todavia; 176 págs. ; R$ 84,90). O romance retorna à juventude de Belle, antes de sua partida para os Estados Unidos, para imaginar a formação de uma mulher atormentada pelo desejo, pela repressão religiosa e pela violência.
Distante das convenções do true crime, Kielland constrói uma narrativa de linguagem experimental e sensorial, menos preocupada em desvendar os crimes do que em explorar os conflitos íntimos de sua protagonista.
Publicado em VEJA São Paulo de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017







