Jornada Susan Sontag discute feminismo, sexualidade e fotografia
Programação em cartaz no Museu Judaico e na Mário de Andrade traz nomes como Leão Serva e Lígia Gonçalves Diniz; confira a agenda completa
Susan Sontag (1933-2004) foi uma verdadeira mente inquieta. Ao longo de sua prolífica carreira, a pensadora nova-iorquina investigou temas tão diversos quanto a fotografia de guerra e seus impactos na banalização da violência, o empobrecimento causado pela superinterpretação de produções artísticas e o conceito da estética camp — expressão queer criada em 1909 que voltou ao vocabulário nos últimos anos quando foi tema do Met Gala em 2019.
Toda essa diversidade de assuntos traz um desafio bem-vindo para a organização da Jornada Susan Sontag, série de encontros que discute a obra da filósofa neste sábado (8) e no próximo (15) no Museu Judaico de São Paulo e na Biblioteca Mário de Andrade. “Ela tinha uma mente ávida por pensar sobre si mesma e o mundo que a cercava”, explica a curadora Gabriela Longman.
Ao longo dos dois dias, a programação reúne nomes como Lígia Gonçalves Diniz, que fala sobre a relação de Sontag com a crítica feminista, Renan Quinalha, que aborda a sexualidade na obra da autora bissexual, e Leão Serva, sobre a viagem que ela fez a Sarajevo em 1993, durante a Guerra da Bósnia.
O evento celebra os sessenta anos da publicação de Contra a Interpretação e Outros Ensaios (Companhia das Letras; 392 págs.; R$ 114,90), livro que “marca a entrada triunfal dela no campo do ensaio”, segundo a curadora.
“Com o imediatismo das redes sociais, as novas guerras e, mais recentemente, as imagens geradas por inteligência artificial, suas reflexões ganham novas camadas de atualidade e de importância”, resume Longman.
Confira a programação completa:
8 DE AGOSTO
Museu Judaico de São Paulo
10h ABERTURA
• Das atualidades possíveis de Susan Sontag, com a curadora Gabriela Longman
10h30-12h A ESCRITA COMO “VONTADE RADICAL”
• A arte do ensaio: os 60 anos de ‘Contra a interpretação’, com Paulo Roberto Pires
• Apaixonada, moralista e esteta: Sontag e a crítica feminista, com Lígia Gonçalves Diniz
14h-16h EXCESSO, ARTIFÍCIO, METÁFORA
• Desejos entre aspas: Sontag e a revolução Camp, com Renan Quinalha
• Conselhos de escrita sobre o luto e sobre a amizade, com Ana Rüsche
• Sobre a fotografia, ainda, com Daniele Queiroz
15 DE AGOSTO
Biblioteca Mário de Andrade
10h-13h SONTAG: TESTEMUNHA DO SÉCULO 20
• Cuba e Vietnã. Sontag em meio à guerra fria, com Flavia Marreiro
• A cultura da imagem em Sontag, com Simonetta Persichetti
• Susan, Sarajevo e as imagens de guerra, com Leão Serva
14h30-16h PROCESSO ABERTO: ESPERANDO EM SARAJEVO
• Com Gabriela Longman e Nicole Cordery
Museu Judaico de São Paulo. Rua Martinho Prado, 128, Bela Vista, 94167-9248. → Sáb. (8), a partir das 10h. Grátis (retirada de ingressos em museujudaicosp.org.br/visite).
Biblioteca Mário de Andrade. Rua da Consolação, 94, República, 3150-9453. → Sáb. (15), a partir das 10h. Grátis (sem retirada de ingressos, sujeito a lotação da sala).
Publicado em VEJA São Paulo de 7 de agosto de 2026, edição nº3007





