Estreia literária de Celsim P.S. faz Raio-X da aids no Brasil
'Indetectável' aborda a crise nos anos 80 e 90
Indetectável (Fósforo; 312 págs. ; R$ 104,90), de Celsim P. S. , mistura ficção, memórias pessoais, correspondências e registros históricos para reconstruir os efeitos da epidemia de aids sobre uma geração de artistas brasileiros nos anos 1980 e 1990.
Com traços de romance de formação, a trama acompanha o personagem-autor Celso, um jovem gay que vive suas primeiras experiências amorosas e sexuais em meio à crescente violência e ao preconceito contra a comunidade LGBTQIA+ no Brasil.
Em trocas de cartas com Dionísio, grande afeto da juventude e da vida adulta, ele descreve com preocupação o surgimento de grupos com slogans “Anti-Gay Commander” e a proliferação por São Paulo de adesivos com frases como “Mate um Paulo Ricardo hoje e evite um Ney Matogrosso amanhã”.
A correspondência entre os dois, que atravessa duas décadas, revela ainda como o teatro, a literatura e os laços de amizade se tornaram formas de resistência diante do medo da doença e da morte.
Em paralelo, capítulos intitulados “Pílulas de solidariedade, realidade e saúde pública” resgatam os marcos da história da aids no país entre 1982 e 1995. Os trechos destacam momentos de mobilização popular, criação de ONGs pioneiras e o caminho para a consolidação do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Este é o romance de estreia de Celsim P. S. , artista com trajetória na música e no teatro, que já trabalhou com o Teatro Oficina e colaborou com Elza Soares e Jorge Mautner.
Publicado em VEJA São Paulo de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017.







