Ferréz lança ‘No Corre’, seu primeiro livro não ficcional
Relato autobiográfico acompanha a trajetória do escritor do Capão Redondo como empreendedor periférico
Ferréz lança seu primeiro livro não ficcional na segunda (5). No Corre (Todavia; 136 págs.; R$ 69,90) é um relato autobiográfico que acompanha sua trajetória como empreendedor periférico. Criado no Capão Redondo, ele se tornou escritor e fundou duas editoras (Solo Povo e Comix Zone), a ONG interferência e uma marca de roupas, a 1DaSul.
Apesar de ter conquistado autonomia por meio do empreendedorismo, Ferréz questiona a lógica de mercado e o discurso simplista dos coaches. E deixa claro a importância de não reproduzir hierarquias nem abandonar suas origens.
3 perguntas para Ferréz
Você já foi chapeiro, ajudante de pedreiro e vendedor de vassoura. Como esses “corres” viraram matéria-prima para a sua escrita?
A experiência convivendo com os gerentes e outros funcionários me colocaram numa posição de pessoa que ninguém olhava, ou olhava e não via. E esse tipo de personagem é o que mais me fascina ao escrever.
Você reconhece que o empreendedorismo lhe deu autonomia, mas critica o discurso dos coaches. Como você separa essas ideias?
Me alimentei desses livros, mas quando você vivencia na prática, assimila melhor do que quem só conhece a teoria. O que não me servia eu deixava lá nas páginas. No meu livro, fica claro que devemos olhar o que a pessoa construiu e não só o que ela reverbera.
O que sua vivência no Capão Redondo trouxe para o seu trabalho?
Ter nascido e sido criado aqui me lapidou de uma forma diferente. O sofrimento também pode ser uma escola — ninguém quer se matricular nela, mas às vezes só se passa de ano na vida a adentrando.
Publicado em VEJA São Paulo de 2 de outubro de 2026, edição nº 3015.







