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É tempo de poesia

Conheça cinco lançamentos de Alberto Martins, Bernardo Ceccantini, Luciany Aparecida e Ricardo Domeneck, vencedor do Prêmio Jabuti de Poesia em 2024

Por Laura Pereira Lima 4 ago 2026, 10h00
Homem de barba e cabelo escuro, vestindo camisa preta, sorri e faz sinal de positivo com a mão direita, segurando um livro com a esquerda. Ele está sentado em frente a um fundo escuro com formas abstratas em azul e laranja
O poeta Ricardo Domeneck, na Flip: o corpo como território político (Walter Craveiro/Divulgação)
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Selecionamos novos títulos de poetas contemporâneos que valem a leitura e a observação demorada:

Capa do livro Caderno de Lascas de Alberto Martins, com fundo laranja e uma forma oval preta texturizada no centro. No canto inferior esquerdo, Círculo de Poemas em branco
(Círculo de Poemas/Divulgação)

Caderno de lascas (Círculo de poemas; 40 págs.; R$ 49,90) Poeta, artista plástico e gravador, Alberto Martins faz do ateliê o centro de uma investigação poética. Entre chapas de metal, serragem, madeira, argila e ferramentas, o autor reúne textos e gravuras que aproximam o trabalho do poeta ao de marceneiros, soldadores, gravadores e escultores. Sem se prender a um único gênero, o livro transita entre poema, ensaio e caderno de artista para refletir sobre o fazer manual, mostrando como palavra e matéria nascem do mesmo gesto de construir, cortar e esculpir.

Capa de livro com um carrossel de brinquedo rústico, feito de madeira e tecido, com cavalinhos e outros animais. O teto azul tem a inscrição 4.772 - CAVALINHOS - ARMADO - NA - PRAÇA - DE - SP
(Ars et Vita/Divulgação)

A cidadania das bonecas de pano (Ars et Vita; 128 págs.; R$ 58,00) Ricardo Domeneck, vencedor do Prêmio Jabuti de Poesia em 2024, reúne 32 poemas no lançamento, parte da coleção Polyphonia. Na obra, o paulista aprofunda temas recorrentes de sua produção ao investigar o corpo como território político e a linguagem como espaço de disputa. Entre memórias, referências bíblicas, cenas do cotidiano e crítica social, os textos questionam quem é reconhecido como sujeito em uma sociedade desigual e precarizada. As “bonecas de pano”, feitas de retalhos e sobras, surgem como metáfora para corpos historicamente relegados à margem.

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Capa do livro Vida sortida de Bernardo Ceccantini, com ilustração abstrata de rostos coloridos no topo, sobre fundo branco. Os rostos são formados por traços pretos e preenchimentos vibrantes em vermelho, azul, amarelo, verde e laranja. Abaixo, o nome do autor e o título em azul, seguidos pelo logo da editora 34
(Editora 34/Divulgação)

Vida sortida (Editora 34; 112 págs.; R$ 59,00) Depois de estrear com Na Quina das Paredes (2017), semifinalista do Prêmio Oceanos, Bernardo Ceccantini retorna à poesia com Vida Sortida. O livro transforma São Paulo em cenário e matéria-prima dos poemas, que percorrem ruas, bares, praças, ônibus, bibliotecas e outros espaços da vida cotidiana para observar personagens anônimos e pequenos acontecimentos. Com linguagem próxima da fala e um lirismo que alterna humor, melancolia e estranhamento, Ceccantini aproxima lembranças da infância no interior — ele nasceu em Assis (SP) — da experiência de viver na capital. Referências a autores como Manuel Bandeira (1886-1968) e Frank O’Hara (1926- 1966) dialogam com uma voz poética que faz do caminhar uma forma de descobrir novas maneiras de habitar o mundo.

Capa do livro AZIRI de Luciany Aparecida, em tom ocre, com uma abertura oval horizontal revelando os olhos de uma pessoa de pele escura. O título está no topo, o nome da autora na parte inferior direita e CÍRCULO DE POEMAS na parte inferior esquerda
(Círculo de Poemas/Divulgação)
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Aziri (Círculo de poemas; 32 págs.; R$ 49,90) Luciany Aparecida parte de uma fotografia feita por Christiano Junior entre 1864 e 1865 para reconstruir, em versos, a trajetória de uma mulher negra cuja identidade foi apagada pela escravidão. O livro antecipa o universo de Tinta da Bahia, romance inédito da autora, que ficcionaliza a história de Aziri Dagwa, sequestrada na região do rio Níger, no atual Mali, traficada para o Brasil e rebatizada como Francisca Maria. Segundo volume de uma trilogia inspirada em fotografias de mulheres negras, Aziri sucede Macala (2022) e terá um terceiro título publicado em 2027.

Capa do livro Pó de Arroz de Bruna Beber. Fundo amarelo com título em branco no topo. No centro, um círculo branco com um copo desenhado em preto, preenchido até a metade com textura granulada. No canto inferior esquerdo, Círculo de Poemas em branco. No canto inferior direito, Bruna Beber em branco
(Círculo de Poemas/Divulgação)

 

Pó de arroz (Círculo de Poemas; 32 págs.; R$ 49,90) Escrito por Bruna Beber, também autora de Veludo Rouco (Companhia das Letras; 104 págs.; R$ 77,90), é o segundo livro da Trilogia Filológica do Paladar — o primeiro foi Sal de Fruta (Círculo de Poemas; 24 págs.; R$ 49,90), de 2023. Os versos tratam do amor no cotidiano de forma cômica e leve e com uma boa dose de referências ao universo gastronômico: pastel, farofa, cozido, mel e ovos são usados para falar dos afetos do dia a dia.

 

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