É tempo de poesia
Conheça cinco lançamentos de Alberto Martins, Bernardo Ceccantini, Luciany Aparecida e Ricardo Domeneck, vencedor do Prêmio Jabuti de Poesia em 2024
Selecionamos novos títulos de poetas contemporâneos que valem a leitura e a observação demorada:
Caderno de lascas (Círculo de poemas; 40 págs.; R$ 49,90) Poeta, artista plástico e gravador, Alberto Martins faz do ateliê o centro de uma investigação poética. Entre chapas de metal, serragem, madeira, argila e ferramentas, o autor reúne textos e gravuras que aproximam o trabalho do poeta ao de marceneiros, soldadores, gravadores e escultores. Sem se prender a um único gênero, o livro transita entre poema, ensaio e caderno de artista para refletir sobre o fazer manual, mostrando como palavra e matéria nascem do mesmo gesto de construir, cortar e esculpir.
A cidadania das bonecas de pano (Ars et Vita; 128 págs.; R$ 58,00) Ricardo Domeneck, vencedor do Prêmio Jabuti de Poesia em 2024, reúne 32 poemas no lançamento, parte da coleção Polyphonia. Na obra, o paulista aprofunda temas recorrentes de sua produção ao investigar o corpo como território político e a linguagem como espaço de disputa. Entre memórias, referências bíblicas, cenas do cotidiano e crítica social, os textos questionam quem é reconhecido como sujeito em uma sociedade desigual e precarizada. As “bonecas de pano”, feitas de retalhos e sobras, surgem como metáfora para corpos historicamente relegados à margem.
Vida sortida (Editora 34; 112 págs.; R$ 59,00) Depois de estrear com Na Quina das Paredes (2017), semifinalista do Prêmio Oceanos, Bernardo Ceccantini retorna à poesia com Vida Sortida. O livro transforma São Paulo em cenário e matéria-prima dos poemas, que percorrem ruas, bares, praças, ônibus, bibliotecas e outros espaços da vida cotidiana para observar personagens anônimos e pequenos acontecimentos. Com linguagem próxima da fala e um lirismo que alterna humor, melancolia e estranhamento, Ceccantini aproxima lembranças da infância no interior — ele nasceu em Assis (SP) — da experiência de viver na capital. Referências a autores como Manuel Bandeira (1886-1968) e Frank O’Hara (1926- 1966) dialogam com uma voz poética que faz do caminhar uma forma de descobrir novas maneiras de habitar o mundo.
Aziri (Círculo de poemas; 32 págs.; R$ 49,90) Luciany Aparecida parte de uma fotografia feita por Christiano Junior entre 1864 e 1865 para reconstruir, em versos, a trajetória de uma mulher negra cuja identidade foi apagada pela escravidão. O livro antecipa o universo de Tinta da Bahia, romance inédito da autora, que ficcionaliza a história de Aziri Dagwa, sequestrada na região do rio Níger, no atual Mali, traficada para o Brasil e rebatizada como Francisca Maria. Segundo volume de uma trilogia inspirada em fotografias de mulheres negras, Aziri sucede Macala (2022) e terá um terceiro título publicado em 2027.
Pó de arroz (Círculo de Poemas; 32 págs.; R$ 49,90) Escrito por Bruna Beber, também autora de Veludo Rouco (Companhia das Letras; 104 págs.; R$ 77,90), é o segundo livro da Trilogia Filológica do Paladar — o primeiro foi Sal de Fruta (Círculo de Poemas; 24 págs.; R$ 49,90), de 2023. Os versos tratam do amor no cotidiano de forma cômica e leve e com uma boa dose de referências ao universo gastronômico: pastel, farofa, cozido, mel e ovos são usados para falar dos afetos do dia a dia.





