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Futuros: de dentro pra fora

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Sabina Deweik é jornalista, futurista e caçadora de tendências. Ela dedica-se a rastrear, ler e digerir o futuro, conhecimento que divide em palestras, workshops, capacitações e em sua coluna todas as segundas-feiras

O paradoxo da escolha

A angústia de não errar em meio a tantas possibilidades

Por Sabina Deweik
27 out 2025, 08h00 • Atualizado em 27 out 2025, 12h22
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 (Freepik/Divulgação)
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  • Você já ficou horas zapeando o menu infinito do streaming sem conseguir escolher o que assistir? Estamos em uma era em que escolher virou sinônimo de liberdade. A promessa é sedutora: quanto mais opções temos, mais felizes deveríamos ser. Mas a realidade mostra o oposto.

    Com trinta tipos de leite, centenas de séries para assistir e infinitas formas de viver e trabalhar, o excesso de opções não nos liberta, nos paralisa.

    O psicólogo Barry Schwartz chamou esse fenômeno de paradoxo da escolha. Seu estudo mostra que quanto mais alternativas temos diante de nós, maior a chance de nos sentirmos ansiosos, indecisos e arrependidos.

    A abundância de possibilidades, que deveria gerar satisfação, acaba alimentando uma sensação de que estamos deixando algo melhor escapar.

    Após a escolha, entra em cena o segundo ato: a chamada dissonância pós-decisão ou síndrome do “e se”, fenômeno psicológico que descreve o desconforto de conviver com o que ficou de fora.

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    No mundo corporativo não é diferente: pesquisas da Harvard Business Review mostram que executivos gastam até 37% do tempo semanal apenas tomando decisões, e que 60% deles acreditam que boa parte dessas decisões são ineficazes. Não por falta de dados, mas por excesso deles. É o fenômeno da fadiga decisória. O excesso, paradoxalmente, reduz o prazer de escolher e aumenta a probabilidade de arrependimento.

    Na prática, sentimos isso todos os dias. Diante do cardápio interminável de produtos e até de pessoas em aplicativos de namoro, gastamos tempo e energia mental tentando não errar.

    O problema não está apenas na quantidade de opções, mas no peso simbólico que atribuímos a cada decisão, como se cada escolha definisse quem somos.

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    A era da abundância nos trouxe um novo tipo de escassez: a de clareza. Escolher passou a ser menos sobre decidir e mais sobre performar e provar que escolhemos “certo”. Mas talvez o verdadeiro poder da escolha esteja justamente em saber dizer não. Porque, no fundo, liberdade não é poder tudo, é poder escolher e ficar em paz com o que foi deixado para trás.

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