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Filmes e Séries - Por Barbara Demerov

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Emily em Paris: a série da Netflix que o público ama odiar

Com Lily Collins no papel principal, 2ª temporada da produção surfa na onda das próprias falhas

Por Barbara Demerov 30 dez 2021, 19h39
A atriz Lily Collins em cena de Emily em Paris; ela posa séria em seu escritório de publicidade
Lily Collins vai ser a protagonista no filme da Polly Pocket (Carole Bethuel/Netflix/Divulgação)
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Em 2020, quando a Netflix lançou a primeira temporada de Emily em Paris, houve praticamente um consenso entre críticos e espectadores: a série não foi muito bem vista por se apoiar em clichês sobre os parisienses e, também, por apresentar uma protagonista que não está preocupada em aprender francês (mesmo tendo a consciência de que terá de morar em Paris por um período a trabalho).

Porém, esses e outros defeitos (incluindo o fato de os demais personagens locais pouco falarem francês) não impediram Emily em Paris de se tornar um grande sucesso da plataforma. A série protagonizada por Lily Collins alcançou 58 milhões de espectadores ao longo do primeiro mês de estreia. Surpreendente, não?

Na verdade, nem tanto. Os comentários constantes – tanto negativos quanto positivos – formaram uma combinação curiosa que atingiu até os espectadores que não pretendiam assistir a série antes. Essa é uma fórmula moderna criada a partir do crescimento dos streamings. Com a influência na internet e o burburinho nas redes sociais, as produções são impulsionadas de forma orgânica.

Dito isso, o sucesso de Emily em Paris se encaixa perfeitamente na frase “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Agora, com a segunda temporada já disponível e firme e forte no Top 10 da Netflix, é visível que a série entendeu que rir de si mesma é a melhor saída para corrigir alguns erros pontuais. Mas Emily (Collins) ainda é uma protagonista complicada, já que continua contando mentiras e se envolvendo nos mesmos problemas. A jovem toma várias atitudes incoerentes e poucas vezes é tida como uma boa amiga ou funcionária. Paralelamente a isso, o drama do triângulo amoroso entre ela, Gabriel (Lucas Bravo) e Camille (Camille Razat) ganha atenção, mas, nos detalhes, os novos episódios também distribuem mais leveza.

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Além de os personagens secundários estarem mais presentes, é possível ouvir muito mais a língua francesa agora. A mistura de idiomas cai bem e é um motivo para que Emily retorne às aulas de francês para se sentir mais à vontade na cidade. Isso rende momentos cômicos – incluindo com Camille, que descobre a traição da executiva de marketing com o cozinheiro Gabriel e ganha destaque com o conflito.

Como explicar o sucesso de Emily em Paris mesmo diante de tantas críticas? É um tanto complexo, mas as produções “guilty pleasure”, que visam divertir os espectadores sem esconder tanto os seus defeitos, claramente continuam fazendo sucesso.

Os belos cenários e figurinos encantadores em Paris destacam-se ainda mais nessa segunda temporada, mas o maior ponto positivo para a produção de Darren Star é que, após a inusitada junção de críticas negativas e sucesso mundial, a trama de Emily está posicionada para entregar somente aquilo que todos querem: entretenimento sem dar muita atenção às consequências.

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