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Em tempos pandêmicos, a arte salva

Trabalhando como médico intensivista durante a crise sanitária de Covid-19, Renato Barros descobriu na escrita uma forma de superar os tempos difíceis

Por Renato Barros em depoimento a Helena Galante
23 dez 2021, 06h00

Em um momento pandêmico e repleto de incertezas como este em que vivemos, a arte tem se mostrado um caminho seguro para confortar sentimentos. Durante o isolamento social, quem não buscou em filmes, séries, livros e músicas um alento mental ou refúgio? Em meio a tantas notícias tristes, com as quais nós nos solidarizamos, a arte nos sustentou, nos ajudou a suportar o desafio que é a vida em seus limites.

Como médico cardiologista intensivista, como paciente que sofreu Covid-19 e como indivíduo que sentiu o distanciamento social, eu me entendi poeta durante a pandemia.

Foi com a arte escrita, que desde os meus 15 anos de idade me acompanha com questionamentos sobre o nosso cotidiano e existência, que eu tive a oportunidade de administrar meus intensos sentimentos, exaltados pelo susto diário que era viver e trabalhar em meio à calamidade pública.

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Seguramente não fui o único. Como instrumento de descoberta individual ou entretenimento, as manifestações artísticas ganharam um espaço mais pessoal. Diante de um momento de introspecção, diversos novos artistas têm mostrado seu trabalho pelas redes sociais. Com a expectativa de controle da pandemia, é esperado que haja um aquecimento cultural, típico de situações pós-crises globais. Agora não vai ser diferente. Assim como, há 100 anos, com o fim da I Guerra, a Semana de Arte Moderna de 1922 foi cenário de renovação artística nacional, espera-se um fenômeno semelhante atualmente.

As redes sociais têm aberto espaço para divulgação de arte, com movimentos como a “instapoesia” e os “booktokers”, instrumentos de diálogo e compartilhamentos de expressões artísticas escritas. O melhor de tudo isso é que o acesso à arte tem se tornado cada vez mais fácil com as plataformas digitais, um novo momento de publicação está por vir.

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A arte salvando-nos mais uma vez.

Já dizia nosso grande escritor Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta”. É nesse território sensível que podemos repousar, descansar nossa mente, permitir que nossa imaginação alcance os melhores sentidos.

A arte existe para acalmar, para nos fazer possíveis, por isso, após me entender poeta, artista que sou, digo:

Em tempos de poucos abraços,
o que temos,
se não as palavras
para nos confortar.

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Fale mais,
escute mais,
gaste um pouquinho mais de tempo
com os diálogos que encontrar.

“Seja gentil com as pessoas, quase ninguém está bem.”

Foto de Renato. Ele é um homem branco, sem barba, de cabelos compridos e escuros. usa uma camiseta preta e uma flor amarela no canto da orelha.
Renato Barros é poeta, médico cardiologista intensivista e um eterno apreciador dos sentimentos e das palavras. Nasceu em Goiânia e mudou-se para Santa Maria (RS) aos 18 anos para cursar medicina na Universidade federal de Santa Maria. Desde 2014 mora em Brasília. Compartilha seus textos no perfil @renatobarrospoeta. (Arquivo Pessoal/Reprodução)

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