Sala ACIMA é laboratório criativo na Cidade Matarazzo
Novo espaço reúne artistas consagrados e novos talentos das artes
São Paulo segue expandindo seus territórios culturais. Em novembro, a Casa Bradesco inaugurou a Sala ACIMA, novo espaço dedicado à economia criativa. O nome não poderia ser mais preciso: trata-se menos de um novo andar e mais de uma mudança de perspectiva sobre como a cidade pensa cultura, formação e encontro.
A Sala ACIMA se apresenta como território de convivência e troca, onde artistas consagrados dividem espaço com novos talentos e onde o processo criativo tem o mesmo peso que o resultado final. Em vez de eventos pontuais, o espaço aposta em residências, laboratórios, mentorias e conversas que colocam o fazer artístico no centro — algo cada vez mais necessário numa cidade acostumada a consumir cultura em ritmo acelerado. Estive ali em um dos encontros e a cena dizia muito.
Pessoas sentadas próximas, sem palco elevado, escuta atenta, perguntas que não buscavam respostas prontas. Entre falas sobre imagem, território e mercado, ficou claro que o interesse não era performar pensamento, mas construí-lo coletivamente. Há algo potente quando a cidade desacelera para ouvir. Isso se reflete nas escolhas curatoriais do espaço.
Os encontros atravessam fotografia, artes visuais, arquitetura, música, moda e literatura, conectando diferentes linguagens e temas contemporâneos. Não há tentativa de síntese fácil — há fricção, sobreposição e diálogo entre repertórios distintos. Uma linha atravessa toda a programação: a valorização do encontro como motor do pensamento criativo. Artistas, arquitetos, músicos, escritores e criadores de diferentes áreas compartilham o mesmo espaço, dissolvendo hierarquias tradicionais entre centro e margem, erudito e popular. A cidade aparece não como cenário, mas como matéria viva de reflexão. A Sala ACIMA se afirma como laboratório criativo da Casa Bradesco.
O espaço abriga um estúdio de fotografia, uma ambientação pensada em diálogo com artistas e designers e, em breve, incorpora a gastronomia a esse ecossistema cultural. Tudo aponta para um entendimento claro: criatividade não nasce isolada, mas do encontro entre linguagens, gerações e repertórios. Ao apostar nesse modelo, a Casa Bradesco se insere em um movimento maior de São Paulo: o de reconhecer que cultura não é adorno institucional nem evento de calendário — é infraestrutura urbana. É ela que sustenta inovação, pensamento crítico e futuro.
No fim, talvez seja isso que a Sala ACIMA represente: uma cidade que cria melhor quando cria junto. E que, às vezes, precisa de novos espaços para enxergar mais longe.





