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Às quartas-feiras, Xan Ravelli, musicoterapeuta, especialista em comportamento e inteligência emocional, comunicadora, apresentadora de TV e empreendedora vai dividir com os leitores sua bagagem multifacetada, com reflexões sobre o amor e as relações na pós-contemporaneidade

Quando ser escolhida virou mais importante do que ser amada?

Na coluna desta semana, Xan fala sobre a importância de se amar com menos disputa e mais expansão

Por Xan Ravelli
25 fev 2026, 17h46 •
adriana-ventura
Adriana Ventura (@adrianaventuraoficial/Instagram/Reprodução)
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  • Existe uma pergunta que eu não paro de ouvir, com meu público, com minhas amigas e às vezes dentro de mim mesma: quando foi que ser escolhida passou a valer mais do que ser amada?

    Na primeira edição do EntreDrinks, recebi Adriana Ventura, autora do livro As relações monogâmicas só existem na cabeça da mulher apaixonada (Viseu, 88 págs., R$ 43,90), para falar sobre essa validação silenciosa que estrutura a vida de muitas mulheres.

    E a conversa começou assim:

    Xan: Em que momento ser escolhida virou mais importante do que ser amada?

    Adriana: Quando o amor foi capturado pela instituição casal. Existe o afeto genuíno, mas existe também o roteiro social que transforma o relacionamento em validação pública. A mulher passa a aguardar ser escolhida, porque ser escolhida significa ter valor. E a gente confunde escolha com amor.

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    Xan: Você fala muito sobre descentralizar os homens da vida das mulheres. O que muda quando o amor deixa de ser o centro?

    Adriana: É o movimento mais desafiador que existe. Porque a validação feminina ainda está atrelada à presença de um homem. Quando você descentraliza isso, começa a ser vista como “mal amada”. Mas descentralizar não é rejeitar o amor, é ampliar os vínculos. O problema é que nos ensinaram que, se não estamos em casal, estamos sozinhas.

    Xan: Como diferenciar desejo de condicionamento social?

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    Adriana: O desejo é humano. O condicionamento aparece quando tentamos garantir esse desejo por meio de regras e contratos que prometem segurança. O amor romântico foi construído como disputa de lugar — e isso o torna bélico. A gente passa a proteger posição, não a nutrir vínculo.

    Xan: E para mulheres que ainda enxergam fracasso em estar sozinhas?

    Adriana: Elas precisam ampliar a rede. Estar fora da instituição casal não é estar isolada. O oposto da centralização não é solidão, é coletividade. O problema é que fomos educadas dentro de uma lógica binária: ou casal, ou abandono. E existe muito mais vida entre esses dois extremos.

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    Saí dessa conversa com uma sensação clara: relações talvez não precise ser abolidas, mas reposicionadas.

    Ser escolhida alimenta o ego. Ser amada em comunidade sustenta a existência. Talvez o desafio do nosso tempo não seja amar menos, mas amar com menos disputa e mais expansão.

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