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Aos domingos, a comunicadora e empreendedora, que também atua como estrategista da nova economia, trará crônicas e insights sobre cultura e lifestyle urbano, tendo São Paulo como vitrine e ponto de partida, sem deixar outras pontes pelo Brasil e o mundo

Seu café preferido em SP virou coworking e você nem percebeu

De Pinheiros ao Itaim, as cafeterias paulistanas viraram extensão do home office, com direito a etiqueta própria e recados no Instagram pedindo bom senso

Por Monique Evelle
25 jan 2026, 08h00 •
mulher trabalhando com café do lado
Cafeterias paulistanas viraram extensão do home office (Freepik/Divulgação)
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  • Tem uma moça de fone no canto da cafeteria. Notebook aberto, copo de flat white pela metade, ela digita rapidamente enquanto o barista mói grãos ao fundo. Na mesa ao lado, um cara de camisa social atende uma videochamada em voz baixa. No balcão, alguém pede um pão na chapa e aproveita para carregar o celular na tomada disponível. Bem-vindo ao novo escritório paulistano, onde o dress code é casual e o aluguel custa o preço de um café.

    São Paulo virou a capital do trabalho remoto estiloso. Não é mais sobre trabalhar de casa de pijama, mas sobre escolher o cenário do seu expediente como quem escolhe uma trilha sonora. Pinheiros tem suas cafeterias com wi-fi bom e luz natural. A Vila Madalena oferece mesinhas na calçada e uma vibe criativa. O Itaim é para quem quer se sentir profissional sem estar numa sala de reunião. Cada bairro tem seu tipo de escritório-café, cada um com sua tribo.

    Existe uma etiqueta nesses lugares, um acordo tácito que ninguém assinou mas todo mundo conhece. Você pode ficar duas, três horas, desde que consuma. Ligações em viva-voz são crime hediondo. Videochamadas, toleráveis se você estiver de fone. Ocupar mesa de quatro sozinho em horário de pico é falta de noção. E se o lugar encher, você sabe que chegou a hora de ir embora, ou pelo menos pedir outro café.

    O curioso é que essa invasão corporativa dos cafés está mudando a cara dos bairros. Tem lugar que abraçou o destino e virou coworking disfarçado. Outros resistem bravamente. O HM Food Café, na Teodoro Sampaio, deixou um post fixado no Instagram que dispensa legendas: “Trabalhe com bom senso. O HM não é coworking”. É o grito de socorro de quem quer ser cafeteria, não escritório compartilhado. A guerra é gentil, mas existe. De um lado, o estabelecimento que precisa de rotatividade para sobreviver, do outro, o freelancer que precisa de um lugar para existir profissionalmente.

    Tem quem ache invasivo, quem reclame que não consegue mais tomar um café em paz sem esbarrar em gente trabalhando. Mas a verdade é que São Paulo sempre foi sobre ressignificar espaços. A cidade que transformou viadutos em área de lazer e prédios abandonados em centros culturais agora transforma cafeterias em escritórios.

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    E talvez seja esse o novo luxo paulistano, poder escolher onde trabalhar, circular pela cidade com um laptop embaixo do braço, ser nômade digital sem sair do próprio CEP. O trabalho remoto estiloso é sobre trabalhar de outro jeito, com outro cenário, outra luz, outro café. É sobre transformar obrigação em lifestyle, expediente em experiência.

    Ao final, a moça do canto fecha o notebook, paga a conta, e sai. Na mesa que ela deixa vaga, já tem alguém de olho.

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