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Mitologia no cinema

Joseph Campbell, um dos maiores especialistas em mitologia de todos os tempos, disse em um de seus livros: “O que é um mito? A definição de dicionário seria: história sobre deuses. Isso obriga a fazer a pergunta seguinte: O que é um deus? Um deus é a personificação de um poder motivador ou de um […]

Por admin 21 Maio 2010, 18h43 | Atualizado em 10 set 2024, 14h17
A Viagem de Chihiro
A Viagem de Chihiro (/)
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Joseph Campbell, um dos maiores especialistas em mitologia de todos os tempos, disse em um de seus livros: “O que é um mito? A definição de dicionário seria: história sobre deuses. Isso obriga a fazer a pergunta seguinte: O que é um deus? Um deus é a personificação de um poder motivador ou de um sistema de valores que funciona para a vida humana e para o universo – os poderes do seu próprio corpo e da natureza”.

O filme Fúria de Titãs, que estreia nesta sexta (21) nos cinemas, trata da luta entre deuses e mortais. Mas não é só de raios e trovões que vive a mitologia no cinema. Confira a seguir três longas que têm como inspiração lendas, mitos e crenças de diferentes povos.

E aí meu irmão, cadê você?
E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (O Brother, Where Art Thou?)
Direção: Joel e Ethan Coen
Ano: 2000

A trama de ‘E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?’ se passa no sul dos Estados Unidos da década de 30. Everett (George Clooney) é um presidiário que consegue escapar das correntes que o aprisionam, com Delmar (Tim Blake Nelson) e Pete (John Turturro). Juntos, eles partem em busca do grande tesouro prometido por Everett. Pelo caminho, encontram muitas figuras curiosas e por vezes surreais.

O filme dos irmãos Cohen é baseado na ‘Odisséia’, do poeta grego Homero. Logo na abertura, um cego profere trechos do poema. Este homem pode ser comparado a Tirésias, o profeta cego da epopeia.

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Ulysses é o personagem principal de ‘Odisséia’, que é também o primeiro nome do protagonista do filme, Ulysses Everet McGill. Como em ‘Odisséia’, Everett deseja voltar para sua esposa, que chama-se Penny, diminutivo de Penélope, o nome da esposa de Ulysses na história de Homero. As lavadoras de roupa que seduzem e roubam Everett e seus companheiros viajantes lembram as Sereias, que no poema seduzem Ulysses e sua tripulação.

A Viagem de Chihiro

A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi)
Direção: Hayao Miyazaki
Ano: 2001

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Chihiro é uma garotinha de 10 anos que está se mudando para o interior do Japão. Perto de sua nova casa, ela encontra uma passagem para um universo paralelo, com deuses e animais falantes, governado por uma feiticeira muito poderosa, chamada Yubaba. Chihiro começa a trabalhar nessa outra realidade e, com a ajuda de Haku, busca uma forma de voltar para casa.

‘A Viagem de Chihiro’ procura resgatar as origens culturais japonesas, numa sociedade cada vez mais tecnológica e virtual. No anime de Hayao Miyazaki, podemos encontrar muitos elementos xintoístas. O nome japonês ‘Sen to Chihiro no Kamikakushi’ traz o termo ‘kamikakushi’ que significa algo como ‘escondido pelos deuses’ e pode ser interpretado no contexto do filme como o desaparecimento da criança Chihiro no mundo real, sua jornada pelo mundo dos deuses e sua volta ao mundo real mais madura do que antes.

O xintoísmo, espiritualidade dos japoneses, tem cerca de 8 milhões de ‘Kamis’, que podem ser considerados divindades. A personagem de Yubaba representa a deidade que é a feiticeira das montanhas (‘yamauba’) e Kamaji, a aranha da terra, ou ‘tsuchigumo’. O garoto que ajuda Chihiro em sua aventura, Haku, é uma das principais figuras xintoístas: o homem que se transforma em dragão. Miyazaki explora também outros elementos mitológicos e culturais do Japão, segundo ele, para ensinar às crianças as ricas tradições de seu país.

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Encantadora de Baleias
Encantadora de Baleias (Whale Rider)
Direção: Niki Caro
Ano: 2002

Em uma pequena vila costeira da Nova Zelândia, uma tribo maori reivindica descendência direta de Paikea, o Encantador de Baleias, que, segundo a lenda, chegou àquela região nas costas de uma baleia há mais de mil anos.  Desde então, os herdeiros homens de Paikea assumem o lugar de chefe da tribo e o título de encantador de baleias. O filho do atual chefe maori teve um casal de gêmeos, mas o menino e a mãe morreram em um acidente, deixando como última herdeira a menina Pai (Keisha Castle-Hughes). Ela é rejeitada por seu avô, mas recebe carinho de sua avó, que também lhe ensina os conhecimentos milenares de sua tribo.

A lenda do Encantador de Baleias é de origem Maori (povo indígena de origem polinésia que vive na Nova Zelândia). Segundo ela, Paikea é o ancestral de uma das tribos da costa leste da ilha norte do país. Paikea foi o nome assumido por Kahutia-te-rangi quando foi salvo por baleias jubarte (Paikea) em um atentado cometido por seu meio-irmão Ruatapu. Os maori são muito ligados às suas tradições e cada tribo possui suas próprias histórias. Uma delas serviu de inspiração para o filme, que tem como lição principal as fortes relações entre o homem e a natureza.

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