Metro Arquitetos assina Cais das Artes, obra de Paulo Mendes da Rocha
Concebido em 2007, o Cais das Artes inicia sua fase de ativação em Vitória e passa a receber o público com museu, teatro e uma praça aberta
Assinado pelo escritório Metro Arquitetos, o projeto arquitetônico do Cais das Artes, em Vitória (ES), entra em sua fase de ativação e terá abertura para o público no final de janeiro. Concebido inicialmente por Paulo Mendes da Rocha em 2007, o complexo cultural inicia seu funcionamento em março, com a abertura do museu, primeira etapa do conjunto a ser entregue. Trata-se da última obra do arquiteto a entrar em operação.
Implantado na Enseada do Suá, em uma ampla esplanada aterrada em frente ao canal que conforma a ilha de Vitória, o Cais das Artes articula museu e teatro voltados à realização de eventos artísticos de grande porte. A proposta estabelece uma relação direta com o entorno urbano, histórico e paisagístico da cidade, marcada pela presença do porto e pela conformação natural da baía.
O partido arquitetônico organiza-se a partir de uma grande praça pública aberta ao uso cotidiano, configurada como um passeio à beira-mar. Os edifícios são elevados do solo, permitindo visuais livres da praça para a paisagem circundante, com vistas para o movimento das docas, a cidade de Vila Velha e o Convento da Penha, localizado do outro lado do canal. A leitura urbanística do conjunto articula história e geografia a uma visão contemporânea da cidade, tendo o espaço público como elemento central da relação com o entorno. A praça incorpora usos complementares, como cafés, livrarias e áreas para espetáculos cênicos e exposições ao ar livre, ampliando as possibilidades de fruição coletiva.
O teatro, com capacidade para 1.300 espectadores, é organizado a partir de duas galerias laterais que concentram circulações, áreas técnicas e camarins, enquanto o espaço central abriga plateia, balcões, palco e coxias. Assim como o museu, o edifício é elevado do solo, tocando o chão apenas nas áreas técnicas sob o palco e no restaurante, que se abre para um passeio coberto junto ao mar, com pilares implantados diretamente na água.
Para Gustavo Cedroni, do Metro Arquitetos, o projeto transcende o programa arquitetônico. “Ele reflete a visão de mundo de Paulo Mendes da Rocha, que sempre defendeu que áreas com frente para o mar fossem espaços públicos e não privados. O Cais das Artes materializa esse ideal e carrega uma forte dimensão afetiva, já que Vitória foi a cidade onde ele nasceu e viveu a infância”, afirma. Segundo o arquiteto, ver o projeto realizado representa a materialização de memórias e histórias associadas à relação do homem com o mar.
Martin Corullon, também do Metro, ressalta o impacto urbano e simbólico do conjunto. “É uma arquitetura que transforma a paisagem e atua na escala da cidade. Depois de tantos anos de incerteza, é muito gratificante ver um projeto público dessa importância ser concluído com respeito à sua concepção original”, destaca. Para ele, o Cais das Artes também encerra simbolicamente uma parceria profissional de quase três décadas com Paulo Mendes da Rocha, sintetizando uma visão de arquitetura e de mundo que foi formadora ao longo de sua trajetória.
O projeto teve início em 2007, com autoria de Paulo Mendes da Rocha e coautoria de Gustavo Cedroni e Martin Corullon, do Metro Arquitetos, com participação da arquiteta Anna Ferrari no desenvolvimento do projeto. As obras começaram em 2011, foram posteriormente adiadas e retomadas em 2025. A abertura ao público ocorre agora de forma gradual, com a entrega do complexo cultural prevista ao longo de 2026.
O Cais das Artes é um equipamento cultural da Secretaria da Cultura do Espírito Santo, com gestão realizada pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).





