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Blog do Lorençato

Por Arnaldo Lorençato
O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Cozinha do Lorençato convida Neide Rigo

A nutricionista, autora do blog Come-se, simplifica o ato de cozinhar, ensina a fazer pães de fermentação natural e aproxima as pessoas das pancs

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 20 jan 2022, 15h15 - Publicado em 24 abr 2020, 10h30

Como vem acontecendo desde a instituição da quarentena para conter a pandemia do novo coronavírus, o Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, é gravado remotamente por Skype. O episódio #46 tem um cenário especial: um sítio em Piracaia, interior de São Paulo. É lá que estava minha convidada, a nutricionista Neide Rigo. Nesse ambiente bucólico, o nosso bate-papo sofreu algumas interrupções por causa do sinal do 4G (sim, apesar de algumas falhas, deu tudo certo). Tivemos direito até a uma trilha sonora inusitada, composta por um grilo. Ah, a natureza!

Personagem rara no universo digital por sua seriedade, Neide se tornou uma celebridade entre fãs de gastronomia, conquistados primeiro no blog Come-se, criado em 2006. Há seis anos, passou a fazer sucesso também no Instagram, rede social na qual ingressou em setembro 2014 e na qual tem 12.000 publicações e 114.000 seguidores. O que a fez tão popular?

Na cozinha circunstancial, a cozinha do momento, lida-se com os ingredientes. Não se usa um livro de receitas nem muitas técnicas. Só o básico como refogar alho e cebola

Neide Rigo, nutricionista e autora do blog Come-se

Não existe uma, mas muitas respostas. Arrisco as fornadas de pães de fermentação natural que se somam a cursos ministrados na casa dela (temporariamente suspensos por causa da quarentena), a horta comunitária que desenvolveu com a ajuda de vizinhos na City Lapa, bairro onde mora, a pesquisa intensa de pancs (plantas alimentícias não convencionais), e, sobretudo as receitas de pratos do seu cotidiano, preparadas com simplicidade e esmero, usando recursos que todo mundo tem à mão. É o que ela define como cozinha circunstancial. “Nessa cozinha do momento, lida-se com os ingredientes. Não se usa um livro de receitas nem muitas técnicas. Só o básico como refogar alho e cebola”, explica.

Papo em sítio no interior de São Paulo: interrupções no 4G e direito à trilha sonora de um grilo (Arnaldo Lorençato/Veja SP)

A culinária preconizada por Neide tem um componente libertador, em especial para que nunca encarou o fogão. O erro é permitido, assim como as alterações no meio do caminho. “As pessoas têm muito medo de cozinhar. Precisam arriscar mais no dia a dia. Não é necessário um tutorial para fazer tudo”, defende.

As pessoas têm muito medo de cozinhar. Precisam arriscar mais no dia a dia. Não é necessário um tutorial para fazer tudo

Neide Rigo, nutricionista e autora do blog Come-se

Entre as muitas bandeiras que levanta a nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP, duas são essenciais, ainda mais nesse momento de isolamento social: uma contra o desperdício de alimentos e a outra a favor da reciclagem. Sem ser radical, Neide também reafirma a importância dos ingredientes naturais. “Não gosto de ditar regras. Prefiro alimentos frescos. Mas não condeno quem usa os processados como o tomate de lata, a ervilha, sardinha”, afirma.

Com ultraprocessados nas cestas básicas, a indústria alimentícia chega de maneira perversa às comunidades que têm a natureza por perto, como as aldeias indígenas e as do sertão

Neide Rigo, nutricionista e autora do blog Come-se
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Não vê com bons olhos, porém, os produtos prontos, cheios de aditivos e conservantes, cada vez mais difundidos. “Com ultraprocessados nas cestas básicas, a indústria alimentícia chega de maneira perversa às comunidades que têm a natureza por perto, como as aldeias indígenas e as do sertão”, tem notado nas viagens feitas a vários pontos do país.

Para ouvir essas e outras histórias que mais parecem papo de comadre e compadre que se conhecem há muito – o que é absolutamente verdade, já que estou conectado à Neide há cerca de trinta anos –, dá o play no YouTube, no Spotify, no Deezer ou aqui:

 

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