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VistaVerde: como nasce um campo de golfe

A construção em Araçariguama demorou 24 meses e consumiu 8,5 milhões de reais

Por Marella Centofanti 18 set 2009, 20h35 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h22

Não se pode dizer que o golfe, um esporte caro, tenha se popularizado. Hoje, porém, o jogo se tornou mais acessível e já é praticado por cerca de 10.000 pessoas na cidade. Neste domingo (11), 200 golfistas profissionais e amadores vão dar suas tacadas num campo novinho em folha. Localizado a 38 quilômetros da capital, em Araçariguama, o VistaVerde Golf Club será inaugurado com um torneio para convidados. Para quem pratica a modalidade – ou quer se iniciar –, é uma boa notícia. Trata-se do primeiro campo de tamanho oficial do estado aberto ao público. Existem outros 38 em São Paulo, mas todos impõem algum tipo de barreira aos interessados em utilizá-los: são exclusivos para sócios, restritos a moradores dos condomínios em que se encontram ou estão atrelados a algum hotel. No VistaVerde, qualquer um pode chegar e jogar – desde que pague uma taxa, evidentemente. Chamada de green fee, ela custa 150 reais de segunda a sexta e 230 reais nos fins de semana. O pagamento dá direito a uma partida, que dura de quatro a cinco horas. “É uma iniciativa inédita, importantíssima para o estado de São Paulo”, afirma Marcio Melo, presidente da Federação Paulista de Golfe. “Ela vai contribuir para alavancar ainda mais o esporte.”

Construir um campo de golfe é um processo longo, custoso e cheio de detalhes. O VistaVerde começou a ser erguido em maio de 2004. Ficou pronto 24 meses depois, mas passou a funcionar no sistema de soft opening apenas em setembro do ano passado. Suas obras consumiram 8,5 milhões de reais e envolveram cinqüenta profissionais. Os donos contrataram o arquiteto Dan Blankenship e o engenheiro agrônomo Cláudio Ivantes para comandar a empreitada. A dupla é responsável por alguns dos mais portentosos projetos do gênero executados no país, entre eles o Terravista, em Trancoso, na Bahia, e o Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista. Americano radicado no Brasil, Blankenship passou dois dias quebrando a cabeça até encontrar espaço para os dezoito buracos que deveriam ficar espalhados na área de 700.000 metros quadrados – o equivalente a quase metade do Parque do Ibirapuera. A grande dificuldade ali é o relevo acentuado: há uma diferença de 100 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo do terreno. Mas, se a topografia se mostrou um empecilho, o arquiteto não teve problemas com restrições ambientais. A propriedade era usada como pasto e não exigiu grande desmatamento. Embora tenham sido removidas 28 árvores, 30.000 mudas de espécies como tipuana, ipê e cedro foram plantadas.

Na primeira fase da obra, cuidou-se da limpeza do terreno, da retirada do capim e da remoção de 30 centímetros da camada mais superficial da terra – que é armazenada para ser usada posteriormente. Em seguida, foram feitas a movimentação do solo e a modelagem do terreno, as duas etapas mais complexas do trabalho. É aí que nasce o formato efetivo do campo, com suas ondulações e marcações específicas do esporte.– como o green, aquela área verde mais clara ao redor do buraco, e o tee, o local de onde se dá a primeira tacada. Existem especialistas em criar esses desenhos, conhecidos como shapers. No caso do VistaVerde, um profissional americano foi contratado para executar a tarefa, pela qual cobrou 150.000 dólares. Durante dez meses, ele passou de doze a catorze horas por dia em cima de um trator, de domingo a domingo. Só parava quando chovia.

A construção do VistaVerde movimentou 3 milhões de metros cúbicos de terra, o suficiente para encher 200.000 caminhões. Após essa fase, entram em ação os trabalhos de drenagem, irrigação, plantio de grama e paisagismo. Foram utilizados dois tipos de grama, o bermuda tifeagle e o bermuda tifway 419 (diferentes daqueles do jardim ou do campo de futebol). Um viveiro localizado a 100 quilômetros de Araçariguama produziu as mudas que cobriram os 450.000 metros quadrados de superfície em que corre a bolinha. Manter a grama verdinha e na altura certa dá um trabalho e tanto. A tifeagle, que fica na área dos greens, é aparada diariamente para permanecer sempre com 3,7 milímetros de altura. Já o sistema de irrigação é controlado por uma central de meteorologia, que, de acordo com os índices de insolação, velocidade do vento e pluviometria, determina a quantidade de água a ser jorrada. Em média, o empreendimento consome 2 milhões de litros por dia. “Depois de pronto, o campo leva dois anos para ficar em condições ideais”, diz Cláudio Ivantes. “Ou seja, o VistaVerde ainda é um recém-nascido.”

A obra passo a passo

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Antes de ser transformada num campo de golfe, a propriedade era usada como pasto. Por isso, não foi necessário desmatar a vegetação. Para realizar o projeto, precisaram ser removidas 28 árvores. Cerca de 30 000 mudas de espécies como tipuana, ipê e cedro foram plantadas na área de 700 000 metros quadrados

Após a limpeza do terreno, a retirada do capim e a remoção da camada mais superficial de terra, são feitas a movimentação e a modelagem do solo, as etapas mais complexas da construção. Um profissional leva dez meses para desenhar as ondulações e marcações específicas do esporte

Depois que a obra está pronta, dá uma trabalheira danada manter a grama verdinha e na altura adequada. O sistema de irrigação é controlado por uma central de meteorologia, que determina a quantidade de água a ser esguichada. A grama é aparada todos os dias para permanecer sempre com 3,7 milímetros de altura

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