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Uninove demite professores com aviso em plataforma on-line

Universidade alega adaptação à crise da Covid-19; Palestra do padre Fabio de Melo foi transmitida no lugar das aulas

Por Agência Brasil - 24 jun 2020, 18h03

O Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP) protocolou ontem (23), no Tribunal Regional do Trabalho, uma negociação solicitando a anulação temporária de demissões de professores na Universidade Nove de Julho (Uninove), que mantém unidades na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Os advogados do sindicato pedem também a mediação do TRT para buscar uma solução para o problema.

De acordo com a diretora do SinproSP, Sílvia Barbara, os professores receberam o aviso de que estavam sendo dispensados no dia 22 de junho, pela manhã, quando acessaram a plataforma da universidade, usada para dar aulas on-line. Assim que o aviso apareceu, a plataforma foi fechada e os professores não tiveram mais acesso. Segundo o sindicato, ao menos 120 docentes receberam os avisos, mas a entidade estima que o número total de demitidos pode chegar a 300.

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No dia, os alunos foram orientados a assistir a live intitulada “fortaleça o seu interior e acredite em você”, uma espécie de palestra motivacional do padre Fabio de Melo, transmitida no canal do YouTube da universidade.

“Entramos em contato com a Uninove pedindo explicações e o número exato de demissões, mas não tivemos resposta. Entendemos que é uma demissão em massa, em meio a uma pandemia, o que agrava ainda mais a situação. Pedimos a mediação do TRT já que a Uninove se recusa a dar informação”, disse Silvia.

Segundo ela, a Universidade não teria dado nenhuma justificativa. Os dispensados receberam uma ordem para entregar o crachá de acesso, em 48 horas, e também a carteirinha do plano de saúde, o que, segundo a diretora do SinproSP, é ilegal — a entidade deve manter o benefício dos funcionários por 30 dias. O sindicato agora aguarda a decisão da Justiça e está fazendo um levantamento por conta própria para saber o número exato de demitidos. “O que dá para ver em um primeiro momento é que a demissão é generalizada e não está concentrada em um único curso. Tem demissão em todas as faculdades e tem tanto professores com quatro meses de casa, como professores com 21 anos na universidade” afirmou Sílvia Bárbara.

Por meio de nota, a Uninove disse que preza como bem maior o ensino de milhares de alunos e a qualidade dos serviços oferecidos há mais de 50 anos e que diante da pandemia que atingiu o mundo, teve que se adaptar à nova situação e foi ao limite para manter o quadro funcional e todas as obrigações contratuais em dia. “Salários dos professores foram garantidos pontualmente e vultosos investimentos em tecnologia realizados. As mensalidades estão sendo renegociadas, tendo em vista a perda do poder aquisitivo de nossos alunos e seus familiares. Todas as medidas de readequação foram necessárias para preservar o sonho dos futuros profissionais que aqui se formarão”, diz o comunicado.

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