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3 perguntas para… João Grinspum Ferraz

Jovem curador fala sobre sua galeria de arte na Barra Funda

Por Jonas Lopes
Atualizado em 14 Maio 2024, 12h28 - Publicado em 18 jun 2011, 00h50

Das galerias inauguradas na cidade nos últimos meses, caso da Moura Marsiaj, da Fass e da Spray, a Transversal é uma das que mais se sobressaem. Instalada desde abril na Barra Funda, bairro de preços mais acessíveis e galpões grandiosos onde também estão casas como Fortes Vilaça, Baró e Emma Thomas, foi aberta por quatro colecionadores. Um deles, o curador João Grinspum Ferraz, tem apenas 28 anos. A partir de terça (21), a Transversal hospeda uma mostra com 43 obras de catorze artistas.

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VEJA SÃO PAULO — Você é formado em relações internacionais e tem mestrado em ciências políticas. Como teve contato com arte tão jovem?

João Grinspum Ferraz — Em 2005, com 22 anos e recém-formado, fui trabalhar no Museu Afro Brasil. Pouco depois houve uma crise de patrocínio, faltou dinheiro e fiquei lá como voluntário por um ano, ajudando a produzir exposições. Logo passei a colecionar e a fazer curadorias. O ambiente em casa favoreceu também. Por causa do meu pai (Marcelo Ferraz), que é arquiteto do escritório Brasil Arquitetura, cresci rodeado de arte. Até sou afilhado da Lina Bo Bardi, de quem o meu pai foi colaborador.

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VEJA SÃO PAULOPor que deixar de ser curador e abrir uma galeria?

João Grinspum Ferraz — Paralelamente aos projetos de curadoria, sou um colecionador, tenho 250 obras no acervo pessoal e vários amigos artistas. Queria participar do mercado de uma forma mais direta. E a preocupação da Transversal é fazer mostras bem montadas, no sentido do cuidado básico mesmo. Ir além do cubo branco com trabalhos espalhados de forma aleatória. Outro desejo era trabalhar com um número pequeno de artistas, para poder me dedicar a cada um.

VEJA SÃO PAULO —  A escolha da Barra Funda foi uma questão comercial?

João Grinspum Ferraz — Não, foi uma feliz coincidência. Estávamos procurando e o imóvel caiu no nosso colo, não privilegiamos uma região. O fato de outras galerias terem se instalado nos arredores foi um indício positivo. Não sei se a Barra Funda vai se tornar um reduto forte de arte contemporânea, mas há alguns prédios de classe média alta sendo construídos. Seria importante o bairro ganhar vida residencial, além da comercial.

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