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Em show com levada punk, Titãs comemora 30 anos de carreira

Grupo começou ontem (8) a turnê do álbum “Cabeça Dinossauro”, no Sesc Belenzinho

Por Catarina Cicarelli Atualizado em 5 dez 2016, 17h20 - Publicado em 9 mar 2012, 13h26

Ontem (8), poucos minutos antes das 21h30, nem parecia que a Comedoria do Sesc Belenzinho receberia, em instantes, o primeiro show da turnê “Cabeça Dinossauro”, que inicia as comemorações dos 30 anos de carreira do Titãs. O público estava em grande parte sentado nas mesas ou no bar. À beira do palco, apenas um acumulado de pessoas esperavam ansiosas a entrada da banda.

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Mas bastou que Sérgio Britto, Tony Bellotto, Paulo Miklos e Branco Mello entrassem no palco para o frenesi começar. Com o acompanhamento do baterista Mário Fabre, o CD “Cabeça Dinossauro” foi tocado na íntegra. Um dos grandes marcos da trajetória do grupo, ele possui um tom extremamente crítico quanto à sociedade brasileira — o álbum foi lançado em 1986, um ano depois de Bellotto e o ex-integrante Arnaldo Antunes serem presos por porte de heroína.

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As músicas foram todas tocadas de acordo com os arranjos originais do disco, começando pela faixa título, que de cara já empolgou a plateia. Mas o álbum foi lançado há 26 anos e desde então muita coisa mudou, incluindo o público. Composta em grande parte por um pessoal que já passou dos 40 anos — embora impressionasse ver garotos que sequer haviam nascido quando o CD foi lançado — a plateia cantou empolgada faixas como “AAUU” e “Polícia”. O “bate-cabeça” nas canções mais pesadas, no entanto, ficou no passado.

A música que mais empolgou o público foi “Bichos Escrotos”. Algumas canções, como Branco Mello assumiu, a banda não tocava há anos, caso de “Dívidas”, que segundo eles só entrou nos shows de 86. Ao final da décima-terceira faixa, “O Que”, os músicos desceram do palco e o público ficou à espera de um improviso, já que o repertório de “Cabeça Dinossauro” tinha acabado.

Como havia prometido, o Titãs tocou então algumas canções de outros álbuns que se encaixavam na proposta do show: sons mais pesados e letras agressivas. A leva começou com “A Verdadeira Mary Poppins” e não faltaram “Televisão” e até “A Melhor Banda dos Últimos Tempos da Última Semana”. A inédita “Fala Aí, Renata” também foi tocada.

O show não teve grandes pretensões. O cenário era simples, apenas com uma projeção da capa do disco tema. A banda parecia se divertir como se estivesse apenas ensaiando em uma garagem. Para cada um dos sete dias de apresentações foram vendidas 500 entradas, lotação suficiente para não encher o espaço e permitir que o público assista confortavelmente ao show, que ganha um tom mais intimista. Do outro lado dos vidros que separam a Comedoria do pátio, pessoas que não conseguiram tentavam acompanhar a apresentação de fora. Gratos ao público, os músicos demonstraram orgulho por os 3.500 ingressos da turnê terem esgotado em apenas duas horas e meia.

O grupo ainda fará mais seis apresentações no Sesc Belenzinho, até o dia 17. Para quem não conseguiu adquirir a entrada para os shows, também é possível vê-los no domingo (11), no Sesc Itaquera, onde tocam com o projeto “Futuras Instalações”, focado nos novos trabalhos da banda.

 

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