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Tempo de semáforo vai ficar 20% maior

Medida ainda não tem data para começar e foi pensada especialmente para os idosos, maiores vítimas de mortes por atropelamento

Por Estadão Conteúdo 3 Maio 2017, 09h45

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai aumentar em 20% o tempo de travessia dos semáforos para pedestres da capital paulista. A medida ainda não tem data para começar, mas os primeiros semáforos que devem mudar ficam na Avenida Mateo Bei, Zona Leste, histórica via de mortes por atropelamento. A medida foi anunciada ontem pelo secretário de Transportes, Sérgio Avelleda, como parte do Maio Amarelo, mês de segurança no trânsito.

Atualmente, os semáforos estão sincronizados para que o pedestre percorra um metro de via a cada 12 segundos. Com a mudança, o prazo deve crescer para perto de 15 segundos.

Esse tempo é pensado especialmente para os idosos, maiores vítimas de mortes por atropelamento. Dos 42 pedestres mortos no trânsito no mês passado na cidade, 25 tinham mais de 50 anos. Conforme o Estado publicou na sexta-feira, o número de mortos por atropelamento aumentou 30% nos três primeiros meses deste ano.

  • Francisca Coutinho, de 90 anos, diz não saber se já está na terceira, quarta ou quinta idade. Moradora da Pompeia, na zona oeste paulistana, ela costuma atravessar “quase correndo” a faixa de pedestres que liga o Sesc e um supermercado do bairro. “É perigoso. Só não aconteceu algo grave comigo porque tomo muito cuidado”, diz.

    O relato de Francisca demonstra o que foi constatado por um estudo brasileiro recém-publicado na revista científica britânica Journal of Transport & Health. Segundo esse levantamento, a velocidade média do caminhar dos idosos na capital paulista é de 0,75 metro por segundo, enquanto a levada em consideração pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) até agora para a regulação dos semáforos de pedestres era de 1 a 1,2 m/s, dependendo do cruzamento semaforizado.

    A pesquisa analisou dados coletados em 2010 em visitas às residências de 1.191 idosos, com idade média de 70,1 anos. Ela é assinada por Etienne Duim, Maria Lucia Lebrão e José Leopoldo Ferreira Antunes, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, vinculados ao projeto Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (Sabe).

    Etienne, moradora de Perdizes, na zona oeste, afirma que já havia reparado nas dificuldades de locomoção dos vizinhos. “Observava eles correndo, apressando o passo para atravessar a rua, esperando para o sinal abrir durante muito tempo, ficando expostos ao sol, à chuva e à poluição”, relata.

    Ela afirma que, além dos idosos, outros grupos são potencialmente prejudicados pelo cálculo de tempo dos semáforos, como pessoas com deficiência física ou dificuldade de locomoção, crianças e pessoas que carregam peso.

    Por causa do mês especial voltado aos acidentes de trânsito, a CET também prevê ações especiais de fiscalização em pontos onde há alta histórica de desrespeito à faixa de pedestres e ações educativas em locais de grande travessia. Hoje, uma dessas ações será na Avenida Paulista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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