Serviços e curiosidades do bairro do Tatuapé

Urbanizado e com ampla estrutura de lazer e serviços, o local abriga pontos históricos e passeios curiosos

Esta imagem foi escolhida pelos leitores de VEJA SÃO PAULO para representar a beleza do bairro. Inspire-se nela e poste também suas fotos usando a hashtag #BelezaTatuapé

Todas as glórias do Timão

Memorial do Corinthians, no Parque São Jorge

Memorial do Corinthians, no Parque São Jorge (Renato Puzzutto/Veja SP)

Desde 2006, o Parque São Jorge, sede social do Corinthians, abriga um memorial dedicado aos 107 anos de existência do time, fundado por um grupo de operários do Bom Retiro durante uma conversa à luz de um lampião. O espaço no Tatuapé traz objetos antigos e uma sala que simula a emoção de estar nas arquibancadas. O destaque fica por conta dos enormes painéis com fotos de craques que fizeram história no Timão. São 42 no total — de feras como Roberto Belangero, Teleco, Sócrates e Luizinho a ídolos mais recentes, entre eles Edilson e o argentino Carlos Tévez.

Espere ver ainda a réplica de um vestiário (o original encontra-se a pouco mais de 10 quilômetros dali, em Itaquera) e telões que exibem vídeos dos gols responsáveis pelos títulos mais importantes. A entrada custa 18 reais. Rua São Jorge, 777, Tatuapé, ☎ 2095-3000. Quarta a sexta, 10h às 17h; sábado, domingo e feriados, 10h às 16h.

Vencedora da folia

Desfile da Acadêmicos do Tatuapé, no Sambódromo do Anhembi

Desfile da Acadêmicos do Tatuapé, no Sambódromo do Anhembi (Heitor Feitosa/Veja SP)

É da Acadêmicos do Tatuapé o atual título de campeã do Carnaval de São Paulo. Fundada, em 1952, como Unidos de Vila Santa Isabel, no limite entre o bairro homônimo e o Tatuapé, a escola de samba só ganhou o nome que tem hoje após seu fundador, Osvaldo Vilaça, o Mala, se mudar com a família para a Rua Antônio de Barros, em 1964. A agremiação enfrentou altos e baixos até se firmar entre as mais bem colocadas do grupo especial a partir dos anos 2010, em uma escalada que culminou em sua primeira conquista, em 2017.

Faltando pouco menos de dois meses para a folia, realiza ensaios todas as semanas. Depois de levar o troféu no sambódromo com uma homenagem a festas e tradições religiosas de países africanos, a escola espera garantir o bicampeonato em 2018 com um desfile sobre o Maranhão. Ainda há vagas para participar de três das cinco alas coreografadas. Para se associar à escola, o valor é de 80 reais.

Construção santa

 (Mapio.net/Reprodução/Veja SP)

O pedaço era um amontoado de chácaras e estradas de terra quando teve início a história da Paróquia Cristo Rei, uma das mais tradicionais por ali. A primeira capela começou a ser erguida em 1929, graças à boa vontade de famílias generosas. A construção pequena e modesta deu lugar a um grande templo nos anos 30, período em que o Tatuapé experimentou o nascimento da fase industrial.

O endereço ficou conhecido pela beleza das imagens de madeira e de outras obras, assinadas pelo escultor alemão Bernard Franz Heisse. Vindo da Europa para um projeto que não deu certo, no Rio de Janeiro, ele foi trazido a São Paulo por padres da Zona Leste paulistana e morou com a mulher por algum tempo nas dependências da paróquia. Em agradecimento, esculpiu o altar e todas as imagens do interior da igreja.

A menor estaiada

Viaduto do complexo viário Padre Adelino

Viaduto do complexo viário Padre Adelino (Cida Souza/Veja SP)

Inaugurado em 2011, o viaduto do complexo viário Padre Adelino é resultado de uma reivindicação de dez anos feita pelos moradores do bairro para acabar com os quilométricos congestionamentos entre a rua homônima e a Avenida Salim Farah Maluf. Assim como a Ponte Governador Orestes Quércia, na Marginal Tietê, a obra traz uma semelhança arquitetônica com a gigantesca Ponte Estaiada, no Brooklin. O uso de cabos de aço (chamados estais) ligados a um mastro é considerado uma das técnicas mais modernas de construção civil. Eles exigem pouca manutenção e resistem por mais de um século. Compare as diferenças entre as ligações viárias do tipo na capital:

Ponte Octávio Frias de Oliveira
Inauguração: 2008
Número de estais: 144
Extensão: 1,6 quilômetro
Custo: 260 milhões de reais

Ponte Orestes Quércia
Inauguração: 2011
Número de estais: 88
Extensão: 660 metros
Custo: 85 milhões de reais

Viaduto Padre Adelino
Inauguração: 2011
Número de estais: 40
Extensão: 122 metros
Custo: 29,9 milhões de reais

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Mais opções para comer

O cenário gastronômico do pedaço está se transformando. Nos últimos três anos, a pizzaria Bráz, o asiático Tantra e o contemporâneo Rios chegaram à região para fazer companhia a estabelecimentos tradicionais, como a cantina La Pergoletta, o Bar do Paco e o português Bacalhoeiro. Mais recentemente, abriram as portas o Bar do Urso, da cerveja Colorado, e a lanchonete Beco SP, dos mesmos donos da Dock Burger.

Cao Veio, de Pinheiros, que deve ganhar filial no bairro da Zona Leste

Cao Veio, de Pinheiros, que deve ganhar filial no bairro da Zona Leste (Fernando Moraes/Veja SP)

As novidades não param por aí. O bar Cão Véio, do jurado do MasterChef Henrique Fogaça, promete inaugurar uma franquia na Rua Itapura em janeiro. O cardápio e o ambiente seguem o padrão da matriz, em Pinheiros. No início do ano que vem, o Shopping Anália Franco deve ganhar uma unidade da Burger Joint, hamburgueria vinda de Nova York que tem o ator Bruno Gagliasso como sócio.

Evangelho inclusivo

Fica no Tatuapé a única sede paulistana da Igreja Cristã Contemporânea, a primeira congregação evangélica brasileira a aceitar abertamente fiéis da comunidade LGBT. O primeiro culto ocorreu em 2013. Idealizada pelo pastor carioca Marcos Gladstone (que enfrentou várias tentativas de “cura gay” antes de tirar a ideia do papel), a entidade começou clandestinamente no Rio, foi alvo de bombas e hoje tem dez templos espalhados pelo Brasil.

Ponto histórico 

A Vila Maria Zélia

A Vila Maria Zélia (Davi Ribeiro/Veja SP)

Cravada há um século no limite entre o Tatuapé e o Belenzinho, a Vila Maria Zélia se mostrou uma inovadora ideia durante o boom industrial paulistano. É considerada a primeira vila operária do Brasil. Foram construídos por ali restaurante, salão de baile, campo de futebol, igreja e duas escolas (uma feminina e a outra masculina) para as famílias de quase 2 500 funcionários da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, do industrial Jorge Street.

O local ganhou seu nome em homenagem a uma filha do empresário que morreu durante a construção. Em 1924, Street se desfez de tudo para quitar dívidas. Após passar pelas mãos de outros clãs endinheirados, o lugar teve altos e baixos. Foi tombado em 1992. A maior parte do espaço ainda abriga residências, porém há construções em ruínas.

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