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Suicídios de adolescentes assustam pais e alunos de escolas tradicionais

Dois jovens de 15 e 17 anos, estudantes do Bandeirantes, tiraram as próprias vidas em um intervalo de duas semanas

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 14 fev 2020, 16h04 - Publicado em 27 abr 2018, 06h00

Um dos colégios mais conceituados da capital, o Bandeirantes, na Vila Mariana, na Zona Sul, sofreu o impacto do suicídio de dois alunos do ensino médio, de 15 e 17 anos, em um intervalo de duas semanas. O primeiro caso ocorreu em 10 de abril, e o segundo, doze dias depois. No começo do mês, o Agostiniano São José, no Belém, na Zona Leste, passou pelo mesmo drama, com um garoto de 16 anos. Os três episódios se somam a um de setembro último, registrado no Colégio Vértice, no Campo Belo, na Zona Sul, quando um estudante de 15 anos tirou a própria vida em um domingo.

Apesar de as quatro mortes terem ocorrido fora do ambiente escolar, a gravidade dos casos levou o difícil tema para as salas de aula. O Bandeirantes tomou uma atitude logo após seu primeiro episódio e passou a contar com uma psicóloga especializada em prevenção de suicídio para atuar diariamente no colégio. “Foram criados espaços de reflexão, diálogo e de acolhimento para todas as turmas”, afirmou a direção, por meio de nota.

Instituição católica, o Agostiniano está realizando um trabalho de apoio em várias salas e, particularmente, com as duas irmãs mais novas do adolescente morto, também matriculadas no local. Já o Vértice contratou uma psicóloga no mesmo dia da morte de seu aluno, para ajudar seus colegas a lidar com o luto. “Eles queriam construir um altar com fotos, mas optamos por uma missa de sétimo dia, para não reforçar a tragédia”, afirma a diretora do local, Walkiria Gattermayr.

A psiquiatra Sandra: cobrança excessiva (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Os casos corroboram estatísticas do Ministério da Saúde que no ano passado apontaram uma taxa de nove suicídios de rapazes entre 15 e 29 anos de idade para cada 100 000 brasileiros. Esse índice é quase o dobro da média nacional e quatro vezes maior que o registrado com meninas da mesma faixa etária. “Elas escolhem métodos menos letais, como envenenamento, que nem sempre dão resultado”, diz a psiquiatra Sandra Scivoletto, professora da USP. “Os homens preferem meios mais violentos e efetivos.”

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As principais causas do fenômeno incluem transtornos como depressão e ansiedade, além de males sociais como bullying e stress decorrente do uso excessivo das redes sociais. Isso se reflete em mudanças de comportamento que levam ao aumento da solidão e à distância em relação aos pais. Uma situação típica é a do adolescente que fica trancado sozinho por horas jogando videogame. “Outros sintomas recorrentes são falta de apetite e irritação constante”, afirma a psicóloga infanto-juvenil Giovana Del Prette (confira mais sinais de alerta abaixo).

Nesse cenário, não são raras as famílias que delegam à escola essa tarefa de detectar alterações psicológicas. Uma noção errada, segundo os especialistas. “As instituições de ensino não conseguem observar todos com precisão. As funções de pai e mãe são insubstituíveis”, afirma Sandra.

MANUAL PARA PAIS

Os sinais de perigo e como proceder

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O que observar

Mudança no padrão de sono e alimentação
Tentativa de esconder fatos
Tristeza prolongada
Irritação acentuada
Solidão excessiva
Queda nas notas

O que fazer

Não julgar
Manter-se próximos
Contar com a ajuda de tios e padrinhos
Procurar auxílio profissional
Participar do tratamento

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