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O filósofo de chuteiras

Biografia relembra a trajetória de Sócrates, ídolo do Corinthians e capitão do escrete nacional nas Copas de 1982 e 1986

Por Sérgio Ruiz Luz 1 nov 2014, 01h00 | Atualizado em 5 dez 2016, 13h52
Capa-Sócrates
Capa-Sócrates (Divulgação/)
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Ele fumava quarenta cigarros por dia, era quase imbatível no halterocopismo e amava as noitadas tanto quanto a bola. Mesmo assim, consagrou-se como um dos maiorais na última grande safra de meio-campistas brasileiros. Com 1,91 metro, compensou a falta de agilidade elevando de simples firula ao estado de arte os passes de calcanhar. Assim, dava fluidez aos lances e surpreendia os adversários.

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O Doutor, como era conhecido, por ser formado em medicina, foi o capitão do escrete de 1982 na Espanha, lembrado até hoje como um dos grandes times que não venceram um Mundial. Quatro anos depois, liderou novamente a seleção no México, outra vez sem chegar ao sonhado título. No Corinthians, time em que atuou entre 1978 e 1984, conquistou campeonatos importantes e virou ídolo da Fiel, que demorou a se render ao seu estilo e talento. Para uma torcida fanática pelos deuses da raça, causava estranheza aquele camisa 8 cerebral, frio até na hora dos gols, comemorados discretamente com o braço direito erguido e o punho fechado.  

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Na biografia Sócrates (foto), com previsão de lançamento para o dia 8, o jornalista Tom Cardoso recupera a trajetória desse craque singular. No início da década de 80, ainda com o Brasil sob a vigência da ditadura, Sócrates virou um dos mentores da célebre Demoracia Corintiana. Na época, os jogadores decidiam tudo na base do voto direto, incluindo o veto a outros atletas. Em 1981, por exemplo, o veterano Paulo César Caju levou bola preta depois de pendurar na conta dos companheiros no bar do hotel quatro doses de licor francês durante uma excursão ao Caribe.

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Sócrates não participava da política apenas do clube. Engrossou o Movimento das Diretas Já em 1984 e era filiado ao PT. Vendido pelo Corinthians à Fiorentina, manifestou no desembarque na Europa simpatia pelo Partido Comunista Italiano, para horror da tradicional família de proprietários do clube. Depois de pendurar as chuteiras, em 1989, tentou a carreira de técnico e de comentarista do SporTV. Acabou descartado pela emissora após ter gritado gol do Corinthians durante a transmissão da final do Paulista de 1995, contra o Palmeiras.

Na vida amorosa, o jogador mostrou-se igualmente inquieto e passional. Teve seis filhos com três mulheres. Engatou ainda um tórrido romance extraconjugal com a cantora Rosemary. Os excessos fora dos gramados cobraram dele um preço alto. Alcoólatra, não conseguiu fazer a tempo o transplante de fígado que poderia ter salvado a sua vida. Sócrates morreu em dezembro de 2011, aos 57 anos, no mesmo dia em que o Corinthians entraria em campo precisando de apenas um empate para se sagrar pentacampeão brasileiro, também contra o Palmeiras (o que acabou ocorrendo). Antes da peleja, os jogadores alvinegros fizeram um minuto de silêncio com o braço direito estendido para o alto em homenagem ao ídolo.  

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