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Sites de compra investem em pacotes de turismo

Após febre das vendas coletivas, empresas mudam modelo de negócio e oferecem viagens mais baratas que as agências tradicionais

Por Jussara Soares
1 ago 2014, 23h00 • Atualizado em 5 set 2025, 17h35
Comparação entre os preços dos pacotes de viagens dos sites de compras e os das agências convencionais
Comparação entre os preços dos pacotes de viagens dos sites de compras e os das agências convencionais (Veja São Paulo/)
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  • Jantar mexicano, rodízio de sushi, tratamentos estéticos e uma variedade de serviços com mais de 50% de desconto criaram a febre das compras coletivas pela internet em 2011. Para que o cliente usufruísse as pechinchas, havia duas condições: um grupo mínimo de pessoas deveria adquirir o cupom e era preciso encontrar uma brecha na agenda dos estabelecimentos,que reservavam uma cota para usuários da modalidade. Em meados de 2012, no entanto, a dificuldade dos negócios em dar conta da demanda extra causou a fuga da clientela, arrefecendo o frenesi em torno da novidade.

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    Na tentativa de reconquistarem a confiança desse mercado, os endereços que sobreviveram foram obrigados a alterar o modelo. Individualizaram as compras e passaram a proporcionar promoções com uso imediato, sem a necessidade de o consumidor marcar data e horários específicos. E, apesar de ainda contarem com muitos restaurantes no cardápio, mergulharam com tudo no turismo, oferecendo pacotes com preços até 60% inferiores aos das agências convencionais (veja o quadro).

    O Peixe Urbano, por exemplo, criou um canal exclusivo para viagens em outubro do ano passado. As vendas para destinos nacionais e internacionais já correspondem a 25% do faturamento do site, que tem 14% da sua clientela na capital. Em dezembro, ele disponibilizava 252 ofertas do tipo; hoje são mais de 560. “Queremos atrair o frequentador das agências de shoppings”, diz o gerente comercial Ilson Bressan.

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    Movimento parecido fez o Groupon, que começou a operar no país em 2010 e investiu mais na onda turística no começo deste ano. A empresa deve estrear em breve um novo sistema de busca no canal específico da área. Por ali ainda não é possível comprar idas à Europa. E, na semana passada, o maior desconto disponível era de 83%, para um fim de semana no Guarujá, no litoral.

    O caso de maior êxito nesse segmento é o do Hotel Urbano. Criado há três anos, em meio ao boom das compras coletivas, ele passou a identificar-se como uma agência de turismo on-line logo em seus primeiros meses. Hoje tem 1,5 milhão de clientes paulistanos, que realizam 4 000 compras por dia, entre 400 destinos nacionais e internacionais. Em 2013, a empresa vendeu 2,8 milhões de diárias, seis vezes mais que em 2011. Campos do Jordão é o destino nacional mais procurado. Entre os passeios no exterior, Orlando, nos Estados Unidos, lidera as preferências, seguido por Buenos Aires (Argentina), Punta Cana (República Dominicana), Miami (EstadosUnidos) e Cancún (México).

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    Em outubro do ano passado, a publicitária Sônia Lourenço aproveitou uma promoção do site para uma viagem a Montevidéu e Punta del Este, no Uruguai. Pagou 700 reais em um pacote que incluía deslocamentos áereos, três dias de acomodação e passeio guiado pelas cidades, 30% a menos do que era cobrado em agências. “O hotel era simples, mas o preço compensou”, diz ela, que checa diariamente as ofertas na internet. Graças a essas pesquisas, garantiu passagens para Las Vegas, em dezembro, e Brasília, em março do ano que vem. 

    A publicitária Sônia Lourenço: férias no Uruguai
    A publicitária Sônia Lourenço: férias no Uruguai ()

    Para evitarem problemas com os clientes, representantes dos sites têm vistoriado os hotéis parceiros. A medida parece ter surtido efeito: as queixas vêm diminuindo.O Reclame Aqui registrou cercade 800 reclamações contra o Peixe Urbano e o Groupon no primeiro semestre deste ano, 60% a menos que no mesmo período de 2013. “As agências tradicionais ainda são melhores na qualidade do serviço, mas seus concorrentes na internet são mais competitivos no preço e vieram para ficar no mercado”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo, Eduardo Vampré do Nascimento.

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