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Secretário de SP diz que ‘recebeu carta de alforria’ durante posse de colega negra

O comentário de Sérgio Sá Leitão pode ter gerado constrangimento durante posse de Aline Torres como secretária de Cultura da capital

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 30 ago 2021, 20h09 - Publicado em 30 ago 2021, 20h07

Durante a cerimônia de posse da nova secretária municipal da Cultura de São Paulo, Aline Torres, negra e moradora da periferia da capital paulista, o secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, fez um comentário considerado constrangedor nesta segunda (30).

Sérgio afirmou, durante discurso, que havia recebido uma “carta de alforria temporária” do governador João Doria (PSDB) para estar no evento em seu lugar. Doria estava em reunião de secretários estaduais no Palácio dos Bandeirantes.

A carta de alforria era um documento assinado por senhores de escravos, usado para libertar os escravizados negros dos trabalhos forçados no final do século XIX no Brasil.

“Eu trago aqui uma palavra do governador João Doria. Nós estamos neste momento na reunião do secretariado, da equipe de secretários do governo, e eu consegui essa carta de alforria temporária, mas vou ter que voltar para lá, Ricardo [Nunes, prefeito de SP]. Mas ele pediu que eu o representasse aqui nesse momento tão importante”, disse Sá Leitão.

O secretário informou em nota que “não houve qualquer constrangimento” após o comentário. “Todos os presentes entenderam meu discurso e o contexto no qual ele estava inserido. De qualquer forma, se alguém se sentiu ofendido, peço desculpas, pois não tive a menor intenção de causar qualquer mal-estar e muito menos ofender alguém. Ao contrário, minha trajetória como gestor é pontuada por iniciativas que reforçam o respeito pelas diferenças e a luta pela igualdade. Como ministro [da Cultura], por exemplo, promovi a recuperação total e a reabertura ao público do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Fui o único a visitá-lo, inclusive, ao lado do também ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.”

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