Clique e assine por apenas 5,90/mês

Russomanno diz que pessoas aglomeradas nas periferias não contraem Covid

Dados da prefeitura, no entanto, apontam que risco de morrer pela doença é até 10 vezes maior em bairros com piores condições sociais

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 15 out 2020, 12h17 - Publicado em 15 out 2020, 12h13

Em entrevista concedida ao SBT nesta quarta-feira (14), o candidato à prefeitura Celso Russomanno, do partido Republicanos, questionou o porquê de pessoas aglomeradas em pequenas moradias não contraírem a Covid-19. 

“A ciência precisa estudar muito ainda a Covid para entender por que onde existe aglomeração, onde as pessoas na periferia, por exemplo, estão aglomeradas em pequenas moradias com cinco, seis, dez pessoas, e não contraem a doença. Por que que os moradores de rua têm casos pontuais? E se alardeava que quando a Covid chegasse no Brasil, ela atacaria de pronto a Cracolândia e os moradores de rua. E isso não aconteceu”, disse o candidato na ocasião. 

No entanto, diferentemente da fala do candidato, a maioria de casos de Covid-19 se concentram em regiões com favelas, cortiços e conjuntos ou núcleos habitacionais. De acordo com dados da prefeitura de São Paulo, o risco de morrer pela doença é até 10 vezes maior em bairros com as piores condições sociais.

A declaração ocorre um dia depois de Russomanno afirmar que moradores de ruas são “mais resistentes do que a gente” à doença, “porque convivem o tempo todo nas ruas, não têm como tomar banho”.

Polêmica sobre moradores de rua

Russomanno afirmou que sua frase em relação aos moradores de rua terem maior resistência à Covid-19 foi tirada de contexto. “Foi tirado de toda a minha conversa uma parte dela para fazer sensacionalismo”.

“Eu disse que eles tinham dificuldade de tomar banho, eles não tinham estrutura nenhuma. Eles são 27 mil pessoas abandonadas no Centro da cidade sem o cuidado do poder público. O poder público não é presente”, explica o candidato. 

Ainda na entrevista ao SBT, ele rejeitou ter sido preconceituoso com sua fala. “Preconceituoso foi a forma com que os jornalistas tocaram no assunto, querendo desprezar aqueles que são famílias, que estão sem opção de vida nenhuma e que o poder público não está presente”.   

+Assine a Vejinha a partir de 6,90

Continua após a publicidade
Publicidade