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Roupas xadrez viram mania

Estampa quadriculada invade guarda-roupa de jovens paulistanos

Por Luiz Fukushiro Atualizado em 5 dez 2016, 18h34 - Publicado em 1 out 2010, 22h53

Dos kilts escoceses e capas de chuva da grife inglesa Burberry às camisas de lenhadores e caubóis americanos, o xadrez já apareceu em dezenas de peças do vestuário. No momento, ocupa boa parte do guarda-roupa de jovens paulistanos — e não estamos falando apenas da época de festas juninas. “Sempre foi um clássico, mas volta a ser mania de vez em quando, como agora”, afirma a editora de moda Alexandra Farah. Ela tem razão. A onipresente estampa enfeita gente de ambos os sexos, em uma ampla gama de ambientes: em escritórios com ‘dress code’ mais descontraído, baladas (tanto as dos muito ricos quanto as dos bem modernos) ou num desfile da São Paulo Fashion Week.

As celebridades também aderiram. Foram clicadas, nas mais variadas ocasiões, as apresentadoras Fernanda Lima e Isabella Fiorentino, além das atrizes Laura Neiva e Maria Ribeiro. Entre os homens, os integrantes do NX Zero e o ator Reynaldo Gianecchini.

O que explica essa invasão quadriculada? Depois do revival dos anos 80, agora é hora de ressuscitar a década de 90 — e dá-lhe roupas baseadas no visual grunge, o movimento rock de bandas como Nirvana e Pearl Jam e suas famigeradas camisas de flanela. Outro fator pode ter contribuído: a febre que virou a marca americana Abercrombie & Fitch em todo o mundo — consumidores formam filas na loja da 5ª Avenida que nem mesmo a infestação de percevejos de Nova York diminuiu. “A grife tem bastante do ‘college’, estilo universitário das tradicionais camisas xadrez”, diz a consultora Costanza Pascolato.

Entre os paulistanos, a inspiração também varia. O analista de software Rick Levy, de 37 anos, tem quinze peças do tipo no armário. Começou a coleção no início dos anos 90, quando estava em alta o seriado americano ‘Twin Peaks’, que se passa numa pequena cidade dos Estados Unidos — tradicional “celeiro” de camisas com os tais quadradinhos. “É um sinônimo do hype”, acredita ele. As amigas Karina Valente e Carina Ohana têm em comum não só o nome, mas o gosto pela padronagem. A diferença é o estilo: enquanto a primeira prefere um visual sério, a outra apela para algo mais descolado. “Incorporei algumas roupas para trabalhar e para o dia a dia, mas escolhi o xadrez até para o meu vestido de formatura”, conta Karina, analista de marketing. “Peças que foram da minha mãe voltaram a ser usadas”, afirma a jornalista Carina.

A estampa tem cores, padrões e peças para praticamente todos os estilos e enfeita vitrines tanto em lojas populares do centro quanto nas butiques mais sofisticadas. Não existe exatamente um jeito-padrão de vesti-la. “É bom não misturar padrões nem cores muito vivas, mas depende da personalidade da pessoa. Se ela sustentar, pode usar como quiser”, diz Costanza. Para evitar o look junino, porém, a dica é não utilizar nenhuma outra referência sertaneja: leia-se botas, cintos grandes e, no caso dos homens, calças muito justas. Se a moda passar, não se acanhe. Lembre-se do conselho de Alexandra Farah: “Com jeans e uma camiseta por baixo, xadrez é sempre um bom look”.

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