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Roger Waters vai deixá-lo de queixo caído

Saiba como será o show de “The Wall” que o ex-integrante do Pink Floyd repete hoje no Morumbi

Por Catarina Cicarelli 2 abr 2012, 20h24 | Atualizado em 18 ago 2025, 11h56
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É bem provável que, ao sair do Estádio do Morumbi, você demore algumas horas para processar tudo o que vai ver hoje à noite. A surpresa começa ao pisar o gramado ou seguir para as arquibancadas. Impressiona a estrutura montada ali para receber a turnê do emblemático disco “The Wall”. O palco, que por si só já é grande, está cortado por um enorme muro de 137 metros de comprimento que ultrapassa seus limites e se estende de uma extremidade à outra das laterais do campo. Há caixas de som gigantes estrategicamente colocadas no centro do gramado e um avião cênico pendurado por um cabo próximo aos refletores em uma das arquibancadas.

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Mal dá tempo para piscar. Já de cara, o público vai à loucura quando Roger Waters entra, veste um casaco militar e começa a tocar “In The Flesh?”, a primeira faixa do álbum. O paredão, até então branco, transforma-se num telão para impressionantes projeções em alta definição. Barulhos de sirenes que anunciam um bombardeio aéreo ecoam por toda parte do estádio. Como no domingo (1º), o público desta terça deve ficar atordoado com os sons e fogos de artifício na frente e atrás do palco. Nesse momento, o avião atravessa o campo, bate na muralha e explode. E é só a primeira música.

O disco que inspirou o show foi lançado em 1979 pelo Pink Floyd e, apesar de ter ganhado uma turnê pelos dois anos seguintes, jamais chegou a ser apresentado no Brasil. Waters foi o responsável pelo conceito do álbum, que conta a história de Pink, um garoto que perdeu o pai durante a II Guerra Mundial e é oprimido por um rígido sistema de ensino e pela superproteção da mãe. A narrativa, em diversos pontos, se assemelha com a do próprio baixista. “Quando escrevi [The Wall], pensei que era sobre mim, sobre meu pai, mas hoje percebo que é sobre nós. Sobre todos nós”, disse Waters durante o show de domingo.

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Só relembrar as canções de um álbum tão importante na história do rock já seria um marco, mas o ex-Pink Floyd faz questão de mostrar sua atualidade. Se no fim da década de 70 a preocupação era a Guerra Fria – e não faltam referências à União Soviética e ao capitalismo americano -, agora ele ressalta conflitos religiosos e o “terrorismo de Estado”, que vitimou pessoas como o brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em 2005 em Londres ao ser confundido com um terrorista pela Scotland Yard.

Parece estranho dizer que a música fica quase em segundo plano durante o show. Mas isso não é demérito. Em canções mais populares, como “Another Brick in the Wall” e “Comfortably Numb”, o público se empolga e canta junto; mas em alguns momentos os efeitos especiais são tão impressionantes que as pessoas apenas assistem embasbacadas.

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O show divide-se em duas partes. Na primeira, 424 tijolos vão sendo colocados na construção do muro. Após um intervalo de cerca de quinze minutos, que esfria um pouco a plateia, a segunda parte começa com a banda escondida atrás do paredão. Waters faz aparições em frestas do muro. Durante “Comfortably Numb”, Robbie Wyckoff (que canta os trechos que antes pertenciam a David Gilmour) e o guitarrista Dave Kilminster aparecem em cima do cenário.

Há ainda bonecos infláveis gigantes e projeções que remetem a um sonho alucinógeno de Pink. Depois, Waters instiga o público a gritar pela destruição do paredão. É uma cena e tanto.

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