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Por que o Tietê transbordou?

Nosso maior rio avançou sobre a marginal e deixou vários motoristas ilhados. Governo promete intensificar a limpeza de sua calha

Por Daniel Salles 14 jan 2011, 18h51 | Atualizado em 5 dez 2016, 18h20

No início da semana passada, os moradores de São Paulo foram surpreendidos mais uma vez por temporais que instauraram o caos. O forte aguaceiro começou às 22 horas de segunda e terminou oito horas depois. Durante esse período, o Centro de Gerenciamento de Emergências da prefeitura registrou, em média, 70 milímetros de precipitações na cidade — alguns bairros computaram mais de 100 milímetros. Isso corresponde a 29% do previsto para janeiro inteiro.

A tempestade inundou 125 pontos da capital, causou congestionamentos e, até a última quarta, havia provocado a morte de catorze pessoas no estado, tragadas pela enxurrada ou vítimas de deslizamentos de terra. O dilúvio foi responsável pelo transbordamento de nosso maior rio, o Tietê, no qual deságuam dezenas de outros. Trechos ao redor do acesso à Rodovia Anhanguera e das pontes da Casa Verde, das Bandeiras e Aricanduva ficaram submersos. No apogeu da chuva, por volta da meia-noite, o Rio Pinheiros e cinco córregos também transbordaram. Na Zona Leste, o Aricanduva, cujas águas avançaram sobre a avenida de mesmo nome no último dia 7 e deixaram motoristas ilhados, por pouco não seguiu o mesmo roteiro.

Este foi o quinto transbordamento do Tietê desde que se concluiu a ampliação de sua calha, em 2006. Para aprofundar o leito do rio em 2,5 metros — antes havia trechos com apenas 50 centímetros —, foram retirados 7 milhões de metros cúbicos de pedra, lama e sujeira. Mas a manutenção precisa ser constante. O Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daee) gastou 64 milhões de reais para retirar 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos e lixo do rio em 2010. E aqui vai um lembrete para uma parcela da população: 35% dessa sujeira é atribuída ao execrável hábito de jogar lixo na rua.

As obras de aprofundamento do Tietê foram cruciais para diminuir os riscos de enchentes, mas a calha atual continua incapaz de conter temporais muito intensos. “O rio consegue dar vazão a precipitações de até 80 milímetros, num período de pelo menos três horas”, explica o engenheiro hidráulico Aluísio Pardo Canholi. “Se o volume que despenca sobre ele é maior ou a duração da chuva, menor, os transbordamentos são inevitáveis.”

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Os efeitos de tempestades como a da semana passada poderiam ter sido menos devastadores. Após reunião de emergência sobre o tema com a presença do prefeito Gilberto Kassab, o governador Geraldo Alckmin anunciou a construção de piscinões e investimentos de 800 milhões de reais para evitar novas enchentes. Os benefícios, porém, só poderão ser percebidos no próximo verão. “Não é possível fazer obra em 24 horas”, afirmou o governador. A dragagem de outros 2 milhões de metros cúbicos de detritos do Tietê também foi anunciada, o que ajudará a conter as cheias. “Nossa meta é retirar todo esse volume de sujeira até o fim do ano”, promete Amauri Pastorello, superintendente do Daee. É o que São Paulo espera há décadas e décadas.

70

milímetros de água caíram sobre a capital entre segunda e terça-feira passada. Alguns bairros registraram mais de 100 milímetros

239
milímetros de chuva eram esperados para janeiro. Mas 99% desse volume já havia despencado sobre a metrópole até o último dia 12

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64 milhões de reais foram gastos para dragar 1 milhão de metros cúbicos de lixo do Tietê no último ano. A ideia é dobrar esse número em 2011

125 pontos da cidade ficaram submersos. Além do Tietê, o Pinheiros e cinco córregos também transbordaram por volta da meia-noite

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