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Bastidores do samba: quem afina os instrumentos para o grande dia?

Por trás das baterias de escolas, um requisitado ex-ritmista desfila para ajustar os instrumentos antes do Carnaval

Por Humberto Abdo
Atualizado em 3 Maio 2022, 21h56 - Publicado em 22 abr 2022, 06h00

O instrumento fala comigo e eu digo ‘calma, vou te ajudar a tocar’”, explica, todo romântico, o responsável pelas caixas, surdos e repiques que desfilam no Carnaval com as escolas de samba paulistanas. Há quase dez anos, é Eduardo Rocha, o Tio Edu, quem cuida da manutenção dessas peças para grupos como Acadêmicos do Tatuapé, Sociedade Rosas de Ouro e Unidos de Vila Maria.

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“A coisa é bem manual, algo que máquina nenhuma faz, e toda hora invento uma ferramenta nova para complementar o alicate, a chave e o meu martelo, que todo mundo chama de martelinho de ouro.”

Ritmista da Império de Casa Verde nos anos 1990, Eduardo investiu na profissão após ter sido contratado por Robson “Zoinho”, o mestre da casa. “Eu era o garoto chato que ficava atrás para saber como tudo funcionava, mas demorei para ter prática. Depois de trabalhar com prestação de contas por trinta anos, decidi fazer só o que gosto. Meu hobby virou profissão.”

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Eduardo Rocha realizando manutenção de instrumentos de percussão no barracão da Mocidade Unida da Mooca.
Eduardo Rocha realizando manutenção de instrumentos de percussão no barracão da Mocidade Unida da Mooca. (Leo Martins/Reprodução)

 

Eduardo Rocha realizando manutenção de instrumentos de percussão no barracão da Mocidade Unida da Mooca.
Eduardo Rocha realizando manutenção de instrumentos de percussão no barracão da Mocidade Unida da Mooca. (Leo Martins/Reprodução)

 

Eduardo Rocha realizando manutenção de instrumentos de percussão no barracão da Mocidade Unida da Mooca
Eduardo Rocha realizando manutenção de instrumentos de percussão no barracão da Mocidade Unida da Mooca (Leo Martins/Reprodução)

Com o sócio Matheus Pinheiro, ele mantém a loja de instrumentos Redenção e comanda a DM Manutenções, que prepara adesivagens personalizadas para os aparatos carnavalescos e atende blocos, grupos de faculdade e times de futebol. O carro-chefe, no entanto, ainda é o serviço feito ao vivo nas principais escolas da capital.

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“Algumas nos pagam todo mês para ter esse suporte e outras me contratam perto do Carnaval, quando preciso visitar duas ou três vezes por semana para checar e ajustar tudo.” Fora de época, costuma cobrar mensalidades de cerca de 300 reais. “Poucos diretores de bateria botam a mão na massa, pagam para fazer e chegam no Anhembi bonitos, perfumados, de apito no peito”, brinca.

A equipe é pequena e inclui uma mãozinha do afilhado, para quem pretende passar o bastão dos negócios no futuro. “Eu sou chato, entendeu? Levei para trabalhar na loja comigo e claro que leva umas broncas, mas hoje algumas coisas ele faz melhor do que eu.”

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Com a chegada dos desfiles em São Paulo, marcados para ocorrer até o dia 23 de abril, Eduardo tem a tarefa de deixar todas as baterias prontas — e a ansiedade das escolas transparece nas ligações em seu celular. “Apesar dos muitos compromissos, sou realizado e minha esposa me apoia, me acompanha e, assim que termino de arrumar tudo, digo ‘deixa eu ir que a delegada está de olho’”, diverte-se. “Perto dos desfiles, tem aqueles que já me ligam preocupados com qualquer coisinha. Agora estou com uma desculpa nova: minha agenda está lotada. E está mesmo.”

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Publicado em VEJA São Paulo de 27 de abril de 2022, edição nº 2786

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