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Projeto busca mudar nome da Rodovia Castelo Branco para homenagear Eunice Paiva

Outro PL, de Nabil Bonduki (PT), propõe alterar nomes de ruas, praças e equipamentos públicos que celebrem figuras ligadas à ditadura

Por Laura Pereira Lima
6 mar 2025, 10h42 •
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 (Acervo Pessoal/ Marcio Ribeiro/Reprodução)
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  • Um projeto de lei propõe a mudança do nome da rodovia Presidente Castelo Branco para “Rodovia Eunice Paiva“. A iniciativa, de autoria de Guilherme Cortez (PSOL) na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), foi publicada na sexta (28) e busca homenagear a trajetória de Eunice Paiva, símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil que ressurgiu com o sucesso do filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. O longa ganhou o Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional.

    Segundo o PL, a medida visa ressignificar a memória coletiva do país, substituindo homenagens a figuras ligadas ao regime militar, como é o caso do ex-presidente Castelo Branco, um dos articuladores do golpe militar de 1964 cujo governo consolidou um aparato de perseguição política, censura e supressão de direitos.

    Eunice Paiva, nascida em São Paulo, teve uma vida marcada pelo compromisso com a justiça social, segundo o PL. Crescida no bairro do Brás, destacou-se academicamente ao ingressar no curso de Letras da Universidade Mackenzie. Casou-se com o deputado Rubens Paiva, cujo desaparecimento e assassinato pelo regime militar transformaram sua vida em uma busca por verdade e justiça.

    Durante a ditadura, ela foi presa junto com sua filha Eliana, então com 15 anos, e permaneceu sob interrogatório por 12 dias. Este momento da vida de Eunice é retratado no filme.

    Após sua libertação, dedicou-se à defesa dos direitos humanos, denunciando crimes do regime e exigindo esclarecimentos sobre o paradeiro do marido, cujos restos mortais nunca foram encontrados. 

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    A trajetória de Eunice é narrada no livro “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, que inspirou o filme.

    A mudança do nome da rodovia vai ao encontro de outras iniciativas recentes. Também inspirado no longa de Walter Salles, o vereador Nabil Bonduki (PT) apresentou na última semana na Câmara de São Paulo o projeto “Ainda Estou Aqui”, que propõe a renomeação de 15 ruas, praças e equipamentos públicos que hoje homenageiam figuras ligadas à ditadura militar, substituindo-os por nomes que prestarão tributo às vítimas da repressão e àqueles que lutaram contra ela.

    Entre as alterações propostas, a atual Avenida Castelo Branco, trecho da Marginal do Tietê, poderá receber o nome de Rubens Paiva, vítima da ditadura militar. Outra mudança prevista é a renomeação da Praça Augusto Rademaker Grunewald, integrante da Junta Governativa Provisória de 1969, que passaria a levar o nome de Eunice Paiva, caso o projeto seja aprovado. Das 15 modificações sugeridas, dez são voltadas a mulheres, destacando seu papel na resistência ao regime.

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