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Prefeito Bruno Covas reduz compromissos na agenda em mais de cinco horas

Atividades, que começavam às 8h e iam até as 22h, hoje terminam por volta das 17h30. Ele é o novo coordenador da campanha de Alckmin à presidência

Por Rosana Zakabi - Atualizado em 17 jul 2018, 16h42 - Publicado em 16 jul 2018, 17h36

Desde que foi nomeado como coordenador da campanha presidencial de Geraldo Alckmin em São Paulo, na terça-feira (10), o prefeito Bruno Covas marcou uma série de compromissos para envolver os demais prefeitos do Estado em torno da candidatura tucana. “Vamos lembrar as pessoas sobre quem é o Geraldo Alckmin”, disse ele em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

Para esta semana está agendada uma reunião com os prefeitos das maiores cidades administradas pelo PSDB para definir quais pontos devem ser ressaltados em relação ao candidato à presidência da República.

A questão é: como fica a prefeitura, diante dessa situação?

Covas garantiu, por meio de sua assessoria de imprensa, que todas as atividades referentes à coordenação de campanha serão cumpridas fora do horário de expediente, seja em dias da semana ou aos sábados e domingos. “Assim, a agenda como prefeito será mantida”, afirmou.

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É bem possível que o prefeito consiga cumprir o que diz por uma simples razão: a agenda oficial da prefeitura foi reduzida drasticamente desde que ele assumiu o cargo, há três meses, após o afastamento de João Doria para concorrer ao governo estadual. No início de abril, a participação em eventos e reuniões da prefeitura começava por volta das 8h – ou até antes – e se estendia pelo menos até as 22h – o último compromisso geralmente estava marcado para as 21h. Havia atividades marcadas inclusive para os sábados e domingos.

Na semana passada, as atividades tinham início previsto para as 9h, e o último compromisso estava marcado entre as 16h30 e 17h30. Neste mês, a agenda prevê apenas uma atividade no fim de semana: a premiação do Campeonato Paulista de Futebol de Amputados 2018, no Parque do Ibirapuera, no sábado (14), ao meio-dia.

Nesta segunda (16), o primeiro compromisso da agenda, a abertura do “Recreio das Férias” no CEU Formosa, no Parque Santo Antônio, Zona Leste, estava marcado para as 10h; e a última, o “despacho” com o chefe de gabinete em exercício Irineu Gnecco, para as 17h30. Na terça (10), dia em que ele foi anunciado como coordenador da campanha, as atividades oficiais como prefeito começaram às 9h e terminaram uma hora depois, às 10 da manhã.

As atitudes do prefeito vêm provocando diversas críticas. Nesta segunda (16), o vereador Antonio Donato, líder da bancada do PT na Câmara Municipal, chamou Covas de “prefeito invisível” em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo. Ele relembrou que as obras de ampliação e atendimento dos hospitais da Brasilândia, na Zona Norte, e em Parelheiros, na Zona Sul, ainda não foram entregues, que a construção de escolas e de CEUS segue parada e que a fila de vagas em creches está em quase 60 000 – a meta da prefeitura era zerá-la em um ano.

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“Covas não tomou nenhuma iniciativa e mantém o que havia de pior na gestão do antecessor: a reversão dos programas de combate à desigualdade e exclusão social”, escreveu. “Está mais preocupado com a disputa eleitoral do que com as tarefas do cargo.”

No início da noite de segunda (16), a prefeitura enviou a seguinte nota a VEJA SÃO PAULO:

“A Prefeitura de São Paulo esclarece que o prefeito Bruno Covas foi convidado para coordenar a campanha de Geraldo Alckmin há menos de uma semana e, neste período, não houve qualquer agenda externa referente a essa função. Reitera que a dedicação do prefeito é integral à Prefeitura.”

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