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Poluição do ar em São Paulo cai pela metade com greve dos caminhoneiros

Episódio raro será estudado pela USP para incentivar criação de políticas públicas em saúde

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 30 May 2018, 12h48 - Publicado em 30 May 2018, 12h46

Durante sete dias de greve dos caminhoneiros, a poluição do ar na cidade de São Paulo caiu pela metade, segundo os índices medidos pelas estações Ibirapuera e Cerqueira Cesar do Sistema de Informações de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A informação foi divulgada nesta quarta-feira (30) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

De acordo com a comparação dos dados diários sobre poluição atmosférica medidos pela Cetesb, os índices de poluição aumentaram quando houve a liberação do rodízio, seguido de uma forte queda após a falta de combustível e a redução de carros e a frota de ônibus nas ruas.

Com esses resultados, a equipe de pesquisadores da USP vai fazer uma análise mais completa do fenômeno e cruzar os níveis de poluição e de congestionamento com os dados diários de mortalidade e internações no período. O objetivo é medir o custo real da poluição.

“Esse é um episódio raro e vamos estudar suas consequências na saúde pública. Quem sabe essas evidências quantitativas sirvam de argumento para a criação de políticas públicas”, disse Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), durante apresentação no evento Diálogos Interdisciplinares sobre Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista, realizado no auditório da FAPESP.

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“A poluição tem um custo alto em saúde. Existe a chamada perda de capacidade produtiva de uma população economicamente ativa, ou seja, quanto dinheiro o Brasil perde por uma fração produtiva da sua população morrer antes da hora estipulada.”

A equipe de pesquisadores teve a oportunidade de medir a poluição de São Paulo em outra experiência rara quando houve a greve dos metroviários em maio de 2017. Naquela época, no entanto, a poluição atmosférica dobrou porque todos resolveram sair de carro. “No dia, houve um excesso de doze mortes. Então, o metrô funciona como um redutor da poluição”, afirmou Saldiva.

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