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“Podemos unificar os ciclos de 2020 e 2021”, afirma secretário da Educação

Rossieli Soares afirma que a junção dos dois anos letivos pode ser a saída para evitar aprovação em massa

Por Sérgio Quintella - 10 Jul 2020, 13h49

De cada 100 alunos da rede estadual de ensino paulista, 23,5 não estão dando conta de cumprir as lições remotas enviadas por aplicativos ou por meio de cadernos retirados nas unidades educacionais. Para o secretário Rossieli Soares, os 800 000 estudantes que não estão em dia com tarefas terão a oportunidade de fazer uma recuperação quando a quarentena acabar.

Em entrevista à Vejinha, o ex-ministro da Educação do governo Temer afirma ser viável recuperar o tempo perdido e que a unificação dos ciclos de 2020 e 2021 pode ser uma forma de evitar a aprovação ou reprovação em massa.

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Um retorno regionalizado não seria mais eficaz? E se nem todas as regiões estiverem aptas a voltar em setembro?

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É necessário que seja assim. Há uma grande circulação de pessoas entre as cidades paulistas. Estamos falando de um contingente de 12 milhões de estudantes e 1 milhão de professores. Mas em setembro esse protocolo poderá ser revisto.

O que poderá mudar?

Quando paramos, em março, paramos todos, públicos e privados. Mas, se no dia 8 de setembro a rede estadual não estiver pronta, a privada poderá retornar antes. Nesse caso, não será preciso esperar mais. Os colégios particulares dizem que estão prontos para retornar em agosto. Não é verdade que todas as escolas particulares estarão prontas no mês que vem. O discurso parte das escolas ricas do centro, de excelência. As da periferia não estão preparadas.

Veja SP/Veja SP

Uma escola grande, mas com poucos alunos, poderá retornar com mais de 35% dos alunos na primeira fase?

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Não vai poder. O retorno gradativo é realizado no mundo todo. Há escolas estaduais em que mais da metade dos alunos não consegue acompanhar as aulas on-line na quarentena. A meu ver temos um número positivo. Antes da pandemia as aulas remotas eram zero. Tivemos de nos reorganizar, formar professores. Mas eu reconheço: tem gente que não se adaptou por falta de equipamentos. Dos 3,4 milhões de alunos da rede estadual, 800 000 terão de passar por uma recuperação.

E se não der tempo, esses estudantes serão reprovados?

Não. Todos poderão entregar as lições depois. Os nossos alunos passarão por avaliações diagnósticas. Saberemos como cada estudante está e todos poderão se recuperar. Para isso também criamos o 4º ano do ensino médio.

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Então eles serão aprovados?

Também não. Estamos estudando uma possível organização de ciclos. Muita gente confunde isso com aprovação automática. Os ciclos podem ser organizados por semestre, por um ano ou um conjunto de anos. Agora em julho apresentaremos as propostas e ouviremos a comunidade estudantil.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695. 

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