Avatar do usuário logado
Usuário

Olivetto deixou legado para a publicidade

Ganhador de 50 prêmios em Cannes, publicitário morreu no último dia 13, no Rio de Janeiro

Por Vanessa Barone 18 out 2024, 06h00
Olivetto-mais-de-cinquenta-prêmios-em-cannes
olivetto: mais de cinquenta prêmios no festival de Cannes  (Roberto Setton/Veja SP)
Continua após publicidade

Se o primeiro sutiã a gente nunca esquece, o primeiro comercial de TV que abordou o tema com a delicadeza que ele merecia, também não. Foi o caso do filme Meu Primeiro Sutiã, criado para a marca Valisère, em 1987, sob direção de Washington Olivetto. O publicitário paulistano, que conquistaria o Leão de Ouro em Cannes (apenas um dos cinquenta prêmios amealhados no prestigiado festival francês) pelo filme — que falava sem tabu sobre a intimidade feminina —, morreu domingo (13), no Rio de Janeiro, anos 73 anos. Um dos maiores nomes do setor, Olivetto marcou uma época considerada de ouro para a publicidade nacional, com comerciais bem-humorados, que falavam diretamente ao consumidor — sem formalidades ou artificialismos.

comercial-meu-primeiro-sutiã
Cena do comercial ‘Meu Primeiro Sutiã’, de 1987 : intimidade revelada com delicadeza e sem pudor (Reprodução/Reprodução)

Em uma entrevista ao jornal Meio & Mensagem, em 2016, ele falou sobre sua obsessão: fazer a propaganda entrar para a cultura popular do país. “Sempre procurei transformar o consumidor em mídia”, disse o publicitário, que já criava filmes “virais” quando o termo nem existia e a internet era apenas um sonho futurista. “Trabalhar ao lado do Washington foi a melhor experiência que eu poderia ter tido como profissional e como homem”, escreveu em sua conta no Instagram o diretor, músico e criador da produtora AD Studio, Jarbas Agnelli.

Captura-de-Tela-2024-10-13-as-19.22.28.png
O ator Carlos Moreno como o garoto Bombril: personagem duradouro e icônico (Reprodução/Reprodução)

Nascido em 1951, no bairro da Lapa, em São Paulo, Olivetto iniciou a carreira profissional em 1969, aos 18 anos. Em 1970, chegou à DPZ, agência onde criaria outras pérolas, como o Garoto Bombril (1978), personagem do ator Carlos Moreno na inesquecível série de comerciais que durou até 2004. Em 1986, deixou a DPZ para associar-se à suíça GGK, criando a W/GGK, que se tornaria a W/Brasil — nome imortalizado pela música homônima de Jorge Ben Jor. O publicitário ainda seria citado em Engenho de Dentro (1993), do mesmo compositor, que dizia: “A cabeça do Olivetto / É igual a uma cabeça de negro / Muito QI e TNT do lado esquerdo”. “Meu pai era o meu amor, o meu exemplo, e não consigo resumir a influência dele na minha vida em um único parágrafo”, diz o diretor e roteirista Homero Olivetto. “Seria injusto com o tamanho dele em mim”, afirma. “Queria que ele estivesse aqui, ao meu lado, me ditando uma frase genial, com o poder de síntese que só ele conseguia ter.”

Continua após a publicidade

 

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês